Mantega foi o coração da economia dos governos petistas

Ministro foi a pessoa que comandou o Ministério da Fazenda por mais tempo na história.

Marcelo de Moraes

22 de setembro de 2016 | 09h35

Preso hoje pela Operação Lava Jato, ninguém simbolizou tanto a economia da era petista no poder quanto o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Depois de ser um dos principais formuladores da proposta econômica de Luiz Inácio Lula da Silva na vitoriosa campanha presidencial de 2002, Mantega assumiu o Ministério do Planejamento em 2003 e comandou o BNDES. Quando o ministro da Fazenda Antonio Palocci caiu em desgraça, Mantega assumiu a pasta em março de 2006. Só saiu de lá nove anos depois, numa longevidade considerada surpreendente por especialistas.

Nesses nove anos à frente do cargo, Mantega jogou afinado com Lula. Sem ambições políticas, não se interessou por disputar mandatos eletivos durante o apogeu popular do governo petista. Seu poder constava em estar no centro da formulação da economia do País. Acabou se tornando a pessoa que ficou mais tempo no comando da Fazenda.

Sem nunca bater de frente com Lula e com crescimento econômico expressivo durante esse período, Mantega começou a ter problemas na pasta a partir da chegada de Dilma Rousseff ao poder. Economista e centralizadora, Dilma passou a interferir diretamente nas diretrizes da economia. Além disso, também aumentou o espaço dado ao então secretário do Tesouro Arno Augustin.

Nesse período, surgiram controvérsias, como a polêmica política de desonerações fiscais e também as contabilidades criativas, com as chamadas “pedaladas” se tornando alvo de denúncias contra o governo. A economia do Brasil acabou entrando em parafuso, inflação e desemprego foram aumentando e Mantega terminou sendo queimado politicamente por Dilma na campanha pela reeleição, quando sua substituição foi anunciada publicamente pela presidente para o segundo mandato, caso fosse reeleita. Magoado, Mantega deixou o governo e viu Dilma abrir espaço na Fazenda para Joaquim Levy, de perfil muito mais alinhado ao mercado, e depois para Nelson Barbosa, mais próximo das origens petistas.

 

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