Mandetta e a ‘mosca azul’ das pesquisas

Mandetta e a ‘mosca azul’ das pesquisas

Coluna do Estadão

05 de abril de 2020 | 03h00

Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta Foto: Wilton Junior/Estadão

O bom desempenho de Luiz Henrique Mandetta em pesquisas sobre a crise do coronavírus faz o entorno dele sonhar alto. Os bolsonaristas, do outro lado, querem ver o ministro picado pela “mosca azul”. Se há pouco tempo a prefeitura de Campo Grande era a opção preferencial de destino político para o titular da Saúde, o DEM já fala no governo de MS, no Senado e até no Planalto. Mandetta desconversa: não quer dar a Jair Bolsonaro a chance de acusá-lo, a exemplo do que o presidente fez com João Doria, de usar a crise como palanque eleitoral.

Raios. Há, claro, várias pedras no caminho que leva até 2022. Uma delas Mandetta já nomeou (Bolsonaro), a outra, muito maior, é a covid-19: ninguém é capaz de saber se algum agente público sairá forte politicamente ao final da grande tempestade.

Trovões. No próprio DEM, partido de Mandetta, há resistência quanto ao assunto, ainda que ele tenha se reaproximado da cúpula dirigente com a crise. Enquanto isso, setores do PSDB crescem o olho na direção do ministro.

Porta. Comandar o combate à pandemia em São Paulo, o Estado mais afetado até agora, seria uma saída para Mandetta, caso ele venha a ser demitido por Jair Bolsonaro na crise.

CLICK. O prefeito ACM Neto recebe a bênção solene na Colina Sagrada. A imagem do Senhor do Bonfim percorreu as ruas de Salvador, em procissão na sexta-feira.

Trincou. A despeito da resiliência de Bolsonaro em alguns cenários das recentes pesquisas de avaliação, marqueteiros experientes acham que ela já dá sinais de estar com dias contados.

Trincou 2. Começaram a surgir as primeiras rachaduras no bloco dos que consideram o governo Bolsonaro ótimo ou bom, o famoso “um terço” da população fidelíssimo ao presidente.

Trincou 3. Se as fissuras se ampliarem, restará a Bolsonaro poucas opções: dobrar a aposta na radicalização ou dar um cavalo de pau rumo à conciliação, avaliam os analistas. As duas opções são de alto risco.

Dureza. A Casa Civil tem se esforçado para concentrar no presidente o anúncio dos programas de combate à covid-19, mas a tarefa não tem sido fácil: Paulo Guedes anunciou o projeto do “passaporte da imunidade”, que seria apresentado em primeira mão por Bolsonaro.

É o que é. Sobre a entrevista do presidente dizendo que Mandetta extrapolou, militares palacianos ficaram incomodados, mas já adotam um tom mais resignado. O vai e vem de tom, ora mais tranquilo, ora explosivo, não vai parar.

Eu quero… A chegada de Marta Suplicy ao Solidariedade fez um perspicaz analista do cenário eleitoral paulistano se lembrar do famoso funk de Ludmilla: “Cheguei chegando, bagunçando a zorra toda”.

…mais é…  Se decidir pela candidatura própria, Marta cria um problema para a esquerda: congestiona a pista canhota, que já tem Márcio França, PSOL e PT.

…que se exploda. À direita, Marta força Bruno Covas a escolher um vice conservador. Ou seja, deu ruim para Alexandre Youssef.


SINAIS PARTICULARES

Marta Suplicy, ex-prefeita de São Paulo

Rating. O governo de São Paulo obteve no Supremo liminar revertendo decisão do Tesouro Nacional de rebaixar a nota de crédito do Estado e de suspender a sua Capacidade de Pagamento (Capag).

Rating 2. O rebaixamento havia paralisado pedidos de empréstimos feitos pelo Estado no valor de R$ 4,6 bilhões de reais. A vitória da Procuradoria-Geral paulista abre precedente para os outros Estados e pode abrir um precedente para o relator do Plano Mansueto, o deputado Pedro Paulo (DEM-RJ).

PRONTO, FALEI!

Vinicius Poit
Deputado federal (Novo-SP)
“É inacreditável ver os que não querem abrir mão do ‘fundão’ boicotarem a emenda do Novo que autorizava a doação de R$ 2 bilhões para salvar vidas.”

COM MARIANNA HOLANDA E MARIANA HAUBERT

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