Mal avaliado por elas, governo se debruça sobre projetos para mulheres

Mal avaliado por elas, governo se debruça sobre projetos para mulheres

Camila Turtelli e Matheus Lara

21 de março de 2022 | 05h00

Enquanto amarga uma forte rejeição do eleitorado feminino, o governo de Jair Bolsonaro tem se dedicado a lançar e ampliar projetos atraentes a essa parcela da população. Após divulgar no dia 8 de março, o programa “Brasil para Elas”, com linhas de crédito para empresárias, o Executivo formaliza nos próximos dias um Comitê Nacional do programa a ser comandado pela secretária especial de Produtividade, e Competitividade do Ministério da Economia, Daniella Marques Consentino, com representantes de outros ministérios, Sebrae, BNDES, Caixa  Federal, entre outros. Segundo fontes, Consentino deve liderar uma agenda de empreendedorismo e inovação para os próximos meses para mulheres.

O presidente Jair Bolsonaro (PL). Foto: Evaristo Sá/AFP

OSSO DURO. Aliados de Jair Bolsonaro entendem que a rejeição do público feminino é uma das questões de campanha mais difíceis de contornar. Até mais do que a crise econômica, que pode ser atribuída à pandemia e, mais recentemente, à guerra na Ucrânia. O discurso que o governo tenta emplacar é de que é um problema “global”, não restrito ao Brasil. 

VAI MAL. Pesquisa Genial/Quaest divulgada na semana passada mostra que 53% das mulheres entrevistadas fazem uma avaliação negativa do governo Bolsonaro. Em relação aos homens, esse porcentual é de 43%.

VAI MAL 2. A avaliação positiva também é pior entre as mulheres: 22% consideram a gestão Bolsonaro positiva. Entre os homens, a porcentagem chega a 29%. Avaliações “regulares” são 24% entre as mulheres; 27% entre os homens.

ASSIM, Ó. Em conversa com empresários da Esfera Brasil, em São Paulo, na última quinta, 17, o ministro do Desenvolvimento Regional Rogério Marinho fez uma leitura “sincerona” sobre a comunicação do governo Bolsonaro.

 SINCERÃO. Questionado sobre por que o próprio governo não divulga suas realizações, enquanto reclamava da mídia, Marinho respondeu: “A legislação define que a divulgação em ano eleitoral podemos fazer apenas a média dos três anos anteriores. Como nada foi feito no primeiro ano, nada foi feito no segundo ano, e pouco foi feito no terceiro ano, pouco será feito no quarto”.

 É MINHA. Única parlamentar indígena na Câmara, Joenia Wapichana (Rede-RR) iria ficar de fora do GT que analisará projeto sobre mineração em terras indígenas. Rodrigo Agostinho (PSB-SP) cedeu sua vaga.

 SINAIS PARTICULARES (por Kleber Sales). Joenia Wapichana, deputada federal (Rede-RR)

VEM COMIGO. Parlamentares vêm tentando passar a imagem de que o Congresso pode ser, a partir do ano que vem, uma “salvaguarda” para reformas como a trabalhista, aprovada em 2017 e alvo de questionamentos de presidenciáveis.

DE OLHO. No início do mês, o Instituto Unidos Brasil, que reúne 300 empresários, usou a Frente Parlamentar do Empreendedorismo como um termômetro do meio político para expressar sua preocupação com as reformas. 

PRONTO, FALEI. Junior Bozzella, deputado federal (União-SP)

O deputado federal Junior Bozzella (PSL-SP). Foto: Ag. Câmara

“R$ 45,6 bilhões do FNDE nas mãos do Centrão e ainda tem gente que acredita em papai noel, coelho da Páscoa e que no governo Bolsonaro não tem corrupção”

 

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