Maia ‘passa pano’ para o desastre na vacinação

Maia ‘passa pano’ para o desastre na vacinação

Coluna do Estadão

14 de dezembro de 2020 | 05h00

Foto: Dida Sampaio/Estadão – 4/6/2019

Diante do desastre do plano de vacinação apresentado pelo governo, pegou mal a entrevista de Rodrigo Maia (DEM-RJ) ao Estadão na qual ele diz que o descaso com a vacina é o “maior erro político” de Jair Bolsonaro, capaz de causar “dano de imagem” ao presidente. Ora, é muito mais do que só barbeiragem política, observam aliados e ex-aliados de Maia e até integrantes do STF. A tragédia em que vem se transformando a vacinação no Brasil é um gravíssimo erro administrativo e, no limite, passível de punição por crime de responsabilidade.

Bea… Na oposição e no centro, quem perdeu a paciência com o que chama de “oposição de Twitter” feita por Maia a Bolsonaro acha que ele “passou pano”, pois o presidente tem o dever de se esforçar para viabilizar rapidamente a vacina a todos os brasileiros.

…bá. Se cumprisse esse dever, Bolsonaro evitaria a morte de milhares de brasileiros e aceleraria o processo de retomada econômica. O Legislativo tem formas de cobrar, controlar e de fiscalizar o Executivo.

Fala muito, mas… Neste final de mandato no comando da Casa, Maia ganhou  apelido entre seus críticos intelectualizados: cineasta de segundo escalão do Cinema Novo, ou seja, muitas entrevistas aparentemente boas, mas poucos filmes e de qualidade duvidosa.

Fé no voto… Apesar de ainda não ter escolhido um candidato pra chamar de seu, Rodrigo Maia tem se mostrado confiante com o “voto no varejo” na disputa pela sucessão dele próprio.

…secreto. Maia confia que, apesar de muitas lideranças terem fechado com o adversário Arthur Lira (PP-AL), temerosas de ficarem sem lugar na Mesa Diretora, deputados vão acabar votando com o presidente da Câmara por… fidelidade.

Lado. Na reunião do Diretório Nacional do PSB que vetou o apoio a Lira, Alessandro Molon (RJ) disse: “Podemos não saber ainda o que fazer, mas já sabemos o que não fazer: apoiar um candidato de Bolsonaro.”

Até ele. Lira defendeu em redes sociais que a análise para aprovação de vacinas precisa ser célere, “com ciência e boa técnica”.

CLICK. Paulo Uebel (à esquerda) e Gabriel Maradei, do Instituto de Formação de Líderes (IFL-SP), no último jantar do ano para debater avanços e conquistas.

Coluna do Estadão

Vai fazer… A criação de um grupo de trabalho da Câmara para fiscalizar as decisões do governo brasileiro sobre o 5G no País foi vista por integrantes do Executivo como uma provocação do Parlamento.

…espuma? O colegiado, que não tem poder decisório, tem dentre os seus integrantes parlamentares da frente Brasil-China e será presidido pelo PCdoB. Um aliado de Jair Bolsonaro ressaltou: nenhuma decisão sobre a nova tecnologia deverá passar pelo crivo do Congresso Nacional.

Como os romanos… Na campanha pela Prefeitura de São Paulo, em 1985, Fernando Henrique Cardoso fez a clássica visita de candidato a uma garagem de ônibus urbanos ao alvorecer. Uma vez em meio aos motoristas e cobradores, FHC foi convidado a um pouco saudável desjejum.

…e sem talheres. No botequim, o sociólogo FHC adotou o famoso lema “em Roma, faça como os romanos”: aceitou uma parruda e oleosa coxinha de frango. Quando o salgado foi servido no pratinho ao então candidato, ele perguntou: “não tem talheres?”

SINAIS PARTICULARES.
Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República

Ilustração: Kleber Sales

PRONTO, FALEI! 

Foto: DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Natalia Pasternak, microbiologista: “O Ministério da Saúde fez o povo e os ministros do Supremo de palhaços. Gasta dinheiro com curas milagrosas e não hesita em enganar a população.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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