Luna é aconselhado a dar sinais ao mercado

Luna é aconselhado a dar sinais ao mercado

Coluna do Estadão

23 de fevereiro de 2021 | 05h00

General Silva Luna. Foto Andre Duseck

O general Joaquim Silva e Luna, indicado por Jair Bolsonaro para assumir a presidência da Petrobrás, foi aconselhado por amigos a dar uma sinalização ao mercado de que deve manter a decisão de vender as refinarias. Hoje, oito estão em negociação, duas em estágio mais avançado. Essa é  uma das maiores preocupações do mercado financeiro, após  a intervenção de Jair Bolsonaro na petroleira. O entorno do general tenta, em sentido contrário, reforçar a ideia de que ele foi indicado por ser gestor sensato e equilibrado, não um militar estatista.

Calma aí. Apreensivo com repercussões de suas declarações a partir de agora, uma vez que ainda precisa ser confirmado pelo conselho da Petrobrás, Silva e Luna, por ora, acha que ainda é cedo para manifestar posição sobre o assunto.

Gambito… Apesar de Silva e Luna não descartar a possibilidade de trocar conselheiros indicados pelo governo e diretores da estatal logo de cara, o entorno do general vê o gesto como pouco provável.

…da rainha. Interlocutores dele lembram que, em Itaipu, as trocas dos diretores ocorreram ao longo de sete meses. Quem embarcar na nova gestão será bem-vindo. Fora que poderia gerar um novo atrito com o mercado.

Oi, sumidos. Silva e Luna foi ministro da Defesa quando ocorreu a greve dos caminhoneiros no governo de Michel Temer. Ele conhece bem e tem certa interlocução com a categoria.

Muito… Ao que parece, ninguém em Itaipu soube da nomeação do general da reserva João Francisco Ferreira para a vaga de Silva e Luna antes do anúncio feito por Jair Bolsonaro.

…prazer. Ferreira é desconhecido para grande parte do setor de energia. A razão para Bolsonaro ter mantido a escolha em segredo seria o medo de o Centrão avançar sobre a vaga.

No que se refere. Uma notável diferença entre Bolsonaro e Dilma Rousseff: a petista nunca fez juras de amor ao liberalismo.

SINAIS PARTICULARES.
Jair Bolsonaro, presidente da República

Ilustrações: Kleber Sales

Nova… Na reunião com Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), as empresas Pfizer e Janssen pediram que fosse criada uma instância administrativa nas ações contra as farmacêuticas. A mudança deveria ocorrer por um projeto de lei.

…instância. Segundo um participante da reunião, seria tipo um “Procon da vacina”. A ideia das empresas é evitar judicialização por “aventureiros” que buscam processar pelo que for. A regulamentação do tribunal administrativo ficaria a cargo do governo federal.

CLICK. Primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Simone Tebet (MDB-MS) teve sua foto incluída na galeria de ex-presidentes do colegiado

Coluna do Estadão

Não… O governador do Acre, Gladson Cameli (PP), se convenceu de que, apesar dos esforços do governo federal com o Peru, o país vizinho não pretende abrir suas fronteiras neste momento. Cameli esteve em Assis Brasil no domingo, 21, município que concentra centenas de imigrantes (haitianos e africanos em sua maioria).

…vai dar. Para tentar diminuir a tensão no local, Cameli ofereceu aos imigrantes transporte rodoviário para quem deseja voltar a seus destinos de origem. Muitos deles já viviam em outros Estados no Brasil.

In loco. O Estado também enfrenta fortes enchentes em diversas cidades. O presidente Jair Bolsonaro sobrevoará as áreas alagadas perto de Rio Branco e deve visitar a cidade de Sena Madureira, a 150km da capital acreana, nesta quarta-feira, 24.

Ajuda. O Acre deve receber ainda R$ 5 milhões dos R$ 450 milhões que o governo federal vai liberar para socorrer Estados e municípios atingidos pelas fortes chuvas e enchentes. Há expectativa de que novo montante possa ser destinado ao Estado.

Cuidado sanitário. Parte do efetivo do Exército que foi enviado à região está ajudando na adaptação de abrigos que receberão pessoas atingidas pelas enchentes. As mudanças estão sendo feitas para mitigar a possibilidade de contágio pela covid-19.

PRONTO, FALEI! 

Deputado federal Daniel Coelho (Cidadania-PE). Foto: Luis Macedo/Agência Câmara

Daniel Coelho, deputado federal (Cidadania-PE): “Estranho ver petista criticando a intervenção de Bolsonaro na Petrobrás. Mais estranho ainda é ver alguém que se diz de direita defendendo.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU LUCIANA COLLET.

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