Luiz Fux: Lava Jato e ‘sentimento’ do povo

Luiz Fux: Lava Jato e ‘sentimento’ do povo

Coluna do Estadão

11 de setembro de 2020 | 05h00

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Para além das frases louváveis, porém, muitas vezes óbvias e obrigatórias (a defesa da democracia e da independência entre os Poderes), o discurso de Luiz Fux ao tomar posse na presidência do Supremo causou arrepios em quem teme uma radicalização do “lavajatismo”. Fux terá de conduzir julgamentos que envolvem a operação, por exemplo. Outro ponto que preocupou gente graúda nos meios jurídico e político foi a evocação ao “sentimento do povo” como norte para o STF, ainda que ele tenho feito a ressalva: “sentimento constitucional”.

Gangorra. Enquanto Curitiba comemorava, os grupos de advogados trocavam mensagens apreensivas sobre o discurso de Fux: quem define o “sentimento”?

Meia palavra… Um trecho do discurso de Marco Aurélio Mello na posse de Luiz Fux foi interpretado por parlamentares como recado ao Congresso.

…basta. Ele disse ser “salutar” a tradição de renovação a cada dois anos da presidência da Corte Suprema. O STF poderá se pronunciar sobre a possibilidade de reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado.

Deu ruim. Aliás, a PEC apresentada pela senadora Rose de Freitas (sem partido-ES) para permitir a reeleição no Legislativo enfrentava forte rejeição em consulta do próprio Senado até ontem e repercutiu nas redes bolsonaristas.

Deu ruim 2. No fim da tarde, no entanto, a consulta pública saiu do ar. Das 9.115 pessoas que haviam respondido, só 142 haviam se posicionado a favor da proposta, o que corresponde a menos de 2% do total.

Piscou. Rodrigo Maia estava indo bem enquanto mantinha a estratégia de negar a vontade de permanecer na presidência da Câmara. Porém, nos bastidores, sucumbiu e flertou com a ideia de mais um mandato. Como diz o jargão, “piscou” antes da hora.

SINAIS PARTICULARES.
Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados

Ilustração: Kleber Sales

Calma. Interlocutores de André Mendonça (Justiça) minimizaram os questionamentos que a Secretaria Nacional do Consumidor fez a varejistas sobre a alta nos alimentos. Lembram que o órgão notificou diversas empresas desde o início da pandemia. O preço do álcool em gel, por exemplo.

Fritura. É forte o cheiro de óleo quente no Ministério da Economia.

Facão. O vice-governador Rodrigo Garcia e o secretário Mauro Ricardo cortam gastos para 2021, enquanto intensificam conversas com os deputados para a aprovação da reforma administrativa (mais de 600 emendas).

Tudo bem. Após as concessionárias reclamarem que o artigo 36 da reforma administrativa era uma “intervenção política” contra a Artesp e a Arsesp, o secretário João Octaviano (Logística e Transportes) diz que as agências continuarão cumpridoras dos contratos. O artigo foi alterado para evitar ruídos.

Martelo. O governo paulista concluiu seu primeiro leilão online de veículos. Foram 500 carros, na maioria viaturas da polícia e da Saúde sem uso ou sucata. Por causa da pandemia, o leilão presencial foi adaptado ao formato digital.

Caixa. A renda de quase R$ 4 milhões vai para os cofres do Fundo Social. O segundo leilão já está sendo preparado. Também está prevista a venda de 38 imóveis para o fim de setembro: R$ 156 milhões.

CLICK. Bia Doria, primeira-dama de São Paulo e presidente do Fundo Social, visitou o Educandário Santista e o Hospital Estadual Guilherme Alvaro para entregar 3,6 mil kits de higiene e limpeza, 3,6 mil cestas básicas e 72 mil máscaras de proteção para 30 entidades da Baixada Santista.

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BOMBOU NAS REDES!

Alessandro Molon. FOTO: LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Alessandro Molon, deputado federal (PSB-RJ): “O preço da política econômica do governo: fome. Manter estoques reguladores protege o consumidor, em especial o mais pobre, evitando preços absurdos. Mas Bolsonaro prefere acreditar em um mercado completamente desregulado. E ainda quer que o auxílio emergencial seja só R$ 300.”

COM ALBERTO BOMBIG E MARIANA HAUBERT

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