Lógica corporativa fez MP-SP propor ‘fura-fila’

Lógica corporativa fez MP-SP propor ‘fura-fila’

Coluna do Estadão

07 de dezembro de 2020 | 05h00

Sede do Ministério Público de São Paulo. FOTO: DANIEL TEIXEIRA/ESTADÃO

Está tenso o clima no Ministério Público de São Paulo após o episódio do “fura-fila” na vacina contra a covid-19. Internamente, surgiu até gente importante defendendo o impeachment do procurador-geral de Justiça do Estado, Mário Sarrubbo. A corporação, que sofre críticas por conta da condução de processos da Lava Jato paulista, vive intensa luta interna pelo poder, dividida em grupos. Como reação à péssima repercussão na sociedade, um desses grupos acusa colegas de terem vazado à imprensa o “fura-fila”. E aí o pau comeu no WhatsApp…

Entre paredes. Quem conhece bem (e por dentro) a instituição, não tem dúvidas: a lógica corporativa que move as eleições internas fez o MP-SP escorregar e se desgastar com a defesa de um interesse esdrúxulo de parte da categoria.

Casa de ferreiro. No caso da condução das ações da Lava Jato paulista, há críticas por conta de supostos exageros e… vazamentos para a imprensa, justamente o argumento utilizado por um dos grupos na tentativa de liderar a oposição internamente e minimizar as críticas pelo “fura-fila” Autocrítica? Nem pensar.

Para lembrar. O MP paulista cogitou, conforme ata de seu Conselho Superior, pedir ao governo do Estado prioridade para os promotores quando houver vacinação. Sarrubbo disse que levaria o pleito adiante.

Tô fora. Após a repercussão negativa, ninguém assumiu a autoria do “fura-fila”. O desgaste foi debitado na conta de Sarrubbo e do procurador Arual Martins, que integra o Conselho Superior da instituição e lidera um dos grupos internos.

Novo… A federação dos Policiais Federais apresentou projeto, protocolado pelo deputado Sanderson (PSL-RS), para punir com mais rigor crimes com o domínio de cidades, como ocorreu em Criciúma (SC).

…cangaço. O texto prevê crime hediondo e pena de prisão de 15 a 30 anos, podendo chegar a 40 anos em caso de morte de reféns.

Enxugando gelo. Líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), não avança nas pautas do Planalto. Já tem gente com saudade do ex-líder Vitor Hugo (PSL-GO)…

SINAIS PARTICULARES.
Ricardo Barros, deputado federal (PP-PR)

Ilustração: Kleber Sales

 

CLICK. Apoiadores de Bolsonaro protestaram na Esplanada dos Ministérios em defesa do voto impresso. Também carregaram cartazes contra a reeleição. de Maia.

Onde foi… Levantamento feito pelo PT indica que não há estrutura orçamentária específica em São Paulo para o combate ao racismo.

…parar? “As ações orçamentárias específicas sobre políticas afirmativas acabam ocorrendo apenas via indicação de emendas parlamentares. O governo não se importa com políticas afirmativas”, diz o deputado estadual Paulo Fiorilo.

Aqui. É na Secretaria de Justiça, no programa Direitos Humanos e Cidadania, que está a maior parte das ações “gerais” para políticas afirmativas. Dos R$ 2,3 bilhões previstos no Orçamento-2020, apenas R$ 1,5 bilhão foi pago até outubro.

Com a palavra. A secretaria disse que “promove políticas afirmativas por meio de programas e ações intersetoriais” e que a execução orçamentária ainda está em andamento e prevê a disponibilização de recursos”.

De olho. Começa hoje o 14º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Dentre os palestrantes, Thenjiwe McHarris, ativista do movimento Black Lives Matter dos EUA, e o ex-ministro Raul Jungmann.

PRONTO, FALEI! 

Jean Gorinchteyn. FOTO: GOVERNO DO ESTADO DE SP

Jean Gorinchteyn, Secretário estadual da Saúde de São Paulo: “A discussão (das vacinas) não pode ser política, tem de ser apartidária e ter a capilaridade do SUS, que atinge todas as classes sociais e regiões do País.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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