Lira dá baile em radicais, mas deve gerar mágoa

Lira dá baile em radicais, mas deve gerar mágoa

Coluna do Estadão

19 de fevereiro de 2021 | 05h00

Foto: Gabriela Biló/Estadão

Qualquer que seja o desfecho do caso Daniel Silveira, Arthur Lira até agora vem dando um baile nos bolsonaristas. O presidente da Câmara está usando a trucada deles em cima do STF para se desvencilhar do radicalismo tóxico da turma de Jair Bolsonaro, que o apoiou na disputa com o grupo de Rodrigo Maia. Lira tem procurado, com gestos, esclarecer sempre ter sido “Centrão raiz”. Essa postura, porém, deve deixar mágoas: os bolsonaristas vestiram a camisa na eleição da Casa, contrariaram bandeiras e apoiadores para abraçar o Centrão.

Uma mão… Lira procurou bolsonaristas e pediu moderação no discurso contra o STF. Um deles foi Carlos Jordy (PSL-RJ). O deputado acatou o pedido, mas disse esperar dele uma “postura de presidente da Câmara para reverter a situação”.

…lava a outra. “Acatei o pedido para não haver tensionamento, esperando que a harmonia institucional possa ser restabelecida através da defesa firme da Câmara pelo presidente e demais deputados”, afirmou Jordy à Coluna.

A ver. Outro parlamentar procurado por Lira admite, reservadamente, que Silveira passou do ponto, mas afirma manter os ataques aos ministros porque sabe qual linha não deve ultrapassar: a defesa de fechamento do STF e o AI-5. Crítica e xingamento, disse o deputado, não devem provocar novas prisões.

Sangue novo. A posse de João Roma (Republicanos-BA) como ministro da Cidadania de Jair Bolsonaro já tem data: quarta-feira, 24, no Palácio do Planalto.

Tá na hora, né? Na retomada dos trabalhos da comissão de acompanhamento da covid-19 na Câmara, o presidente Luizinho Teixeira Jr. (PP-RJ) diz que terá duas prioridades: esclarecer a ordem da fila na vacinação e definir medidas para bloqueio sanitário de novas cepas do vírus.

Registro. Sempre vale lembrar: a atuação da comissão da Câmara foi lamentável até agora.

A Hora do Pazuello. Pegou o apelido “Eduardo Pesadelo”. O ministro da Saúde, à Freddy Krueger, tem aterrorizado a vida de muita gente no Brasil.

SINAIS PARTICULARES.
Eduardo Pazuello, ministro da Saúde

Ilustração: Kleber Sales

Tá… A taxa de reprovação de prefeitos e vereadores seguiu alta nos dois meses após as eleições de 2020. Pesquisa do Instituto Locomotiva, em parceria com o RenovaBR, mostra que 35% dos entrevistados avaliam negativamente os novos gestores municipais. Antes, a taxa era de 50%.

…osso. Em relação aos vereadores, a rejeição é registrada por 49% dos entrevistados, antes, os insatisfeitos eram 62%.

Receita. “Eles (prefeitos) precisam recuperar com urgência a relação com seus representados, e isso se faz com políticas públicas eficientes”, diz Eduardo Mufarej, do RenovaBR.

Dados. A pesquisa fez 1.500 entrevistas, em janeiro, em 65 cidades de todos os Estados. A margem: três pontos porcentuais para mais ou para menos.

CLICK. O governador João Doria (o segundo à esquerda) voltou ao Morro do Macaco, no Guarujá, após tragédia, para entregar obras de contenção de uma encosta.

Divulgação/Governo de São Paulo

Vixe! Aliados de João Doria aproveitaram a agenda do governador no Guarujá para cutucar Bolsonaro. No balneário onde o presidente costuma relaxar, lembraram que ele até hoje não se solidarizou com a tragédia no Morro do Macaco, que matou 34 pessoas em 2020.

PRONTO, FALEI!

Orlando Silva. FOTO: CLEIA VIANA/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Orlando Silva, deputado federal (PCdoB-SP): “A decisão do Supremo (sobre a prisão de Daniel Silveira) funciona como freio de arrumação. Espero que inspire a Câmara a fazer o que tem de ser feito.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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