Liberação de máscaras põe Estados e conselhos de secretários de Saúde em rota de colisão

Liberação de máscaras põe Estados e conselhos de secretários de Saúde em rota de colisão

Alberto Bombig e Matheus Lara

28 de outubro de 2021 | 05h00

As iniciativas do Distrito Federal e do Rio de Janeiro de desobrigar o uso de máscaras estabelecem ruído significativo entre Estados e os Conselhos Nacionais de Secretários de Saúde (Conass e Conasems), que, ao longo da pandemia, se posicionaram de forma clara em defesa da ciência e apontaram equívocos em decisões do governo federal. Há o temor de um efeito cascata, impulsionado pelo populismo eleitoral. No Rio, a desobrigação das máscaras passou pela Alerj e municípios terão a palavra final. No DF, onde pouco mais de 51% estão totalmente vacinados, a decisão veio por decreto de Ibaneis Rocha (MDB).“É muito prematuro”, afirma o diretor financeiro do Conasems, Hisham Hamida.

Alerta. “O momento é de estimular as segundas doses de vacina e as doses de reforço”, afirma Hamida. “O momento é de estimular as segundas doses e as doses de reforço, não o fim das medidas não-farmacológicas.”

Alerta 2. “Precisamos estar atentos às experiências frustrantes de alguns países que, acreditando ter superado os riscos, suspenderam a obrigatoriedade do uso de máscaras e tiveram recrudescimento de casos e de óbitos”, diz Carlos Lula, presidente do Conass.

 

Foto: Wilton Junior/Estadão

Quanto… A mais recente pesquisa Genial/Quaest traz dado preocupante para Bolsonaro: o Auxílio Brasil turbinado pode não ser a poção mágica que o presidente necessita para reagir nas pesquisas (só 25% dos entrevistados dizem que podem votar nele por causa dos R$ 400 mensais).

…vale? Claro, qualquer ajuda é bem-vinda para quem está em queda. Mas a pergunta é: vale extrapolar o teto de gastos (e aguentar as prováveis consequências econômicas)?

CLICK. Após o ministro Paulo Guedes ter sido flagrado bebendo suco de maracujá, um protesto bem humorado distribuiu a bebida na entrada da quadra dos deputados.

Pilha. Cálculos sobre a quantidade de prefeitos e vice-prefeitos estão torrando as baterias das calculadoras tucanas nas prévias do PSDB. Segundo o TSE, sob o governo de João Doria, o número de prefeitos e vereadores do partido em São Paulo aumentou 19% nas eleições de 2020, saltando de 1.207 em 2016 para 1.438.

Pilha 2. No Rio Grande do Sul, sob Eduardo Leite, a quantidade de tucanos ocupando prefeituras e Legislativos municipais diminuiu 11%, de 296 eleitos em 2016 houve regressão para 262 no ano passado.

Tá difícil. Pré-candidato a governador de São Paulo no próximo ano, o atual vice, Rodrigo Garcia, ainda sonha em ter Geraldo Alckmin como candidato a senador em sua chapa no PSDB. Por ora, quem se fortalece internamente para a vaga do partido no Estado é José Aníbal.

Sai que é sua. Uma das frases mais repetidas em Brasília é “a bola agora está com Augusto Aras”, que recebeu o relatório da CPI da Covid. Resta saber se o PGR, muitas vezes visto como “goleiro” do time planaltino, vai querer jogar no ataque ou sentar-se sobre a esfera.

SINAIS PARTICULARES. Augusto Aras, procurador-geral da República. Ilustração: Kleber Sales/Estadão

Gol contra. Para defender Bolsonaro, Arthur Lira atacou o Parlamento ao criticar a CPI. O presidente da Câmara começa a escorregar na estratégia de presidir a Casa em 2023.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MATHEUS LARA. COLABOROU ELIANE CANTANHÊDE

PRONTO, FALEI!

Daniel Dourado, pesquisador da USP

“Inconformado com o relatório da CPI da Covid do Senado, Bolsonaro recorre ao… STF. Impressionante é como ele continua enrolando o pessoal da base dele.”

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