“Já falei o que tinha que falar e não retiro nada”, diz Gilmar Mendes sobre polêmica com PGR

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Coluna do Estadão

24 Agosto 2016 | 10h30

gilmar mendes

Ministro Gilmar Mendes

Perguntado pela Coluna sobre se irá continuar nesta quarta-feira com as críticas aos investigadores da Operação Lava Jato, o ministro Gilmar Mendes, do STF, afirmou: “Não! Já falei o que tinha que falar e não retiro nada também.”

Nos últimos dois dias, o ministro disparou contra os procuradores motivado pelo vazamento de informações do pré-acordo de delação do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro. Segundo a revista Veja, Pinheiro teria se comprometido a contar sobre sua suposta relação com o ministro Dias Toffoli, colega de Mendes no STF.

Um dos pontos envolve a reforma de uma mansão em área nobre de Brasília de propriedade do ministro. Pinheiro teria indicado uma empresa para resolver problema de infiltração. A conta, conforme a publicação, foi paga pelo ministro.

Em agosto de 2013, o Estado revelou que Toffoli obteve empréstimo de R$ 1,4 milhão no Banco Mercantil do Brasil em condições super especiais. Na época, ele afirmou que deu como garantia sua casa no Lago Norte, em Brasília. Ele era relator de ação envolvendo o banco no STF. (Andreza Matais)

 

As frases do ministro:

“Como eles (procuradores) estão com o sentimento de onipotentes decidiram fazer um acerto de contas.”

“Decidiram vazar a delação (de Léo Pinheiro, da OAS), mas tem que se colocar um limite nisso.”

“Quando você tem uma concentração de poderes você tende a isso, a que um dado segmento, que detém esse poder, cometa abusos”, afirma o ministro do Supremo.

“Isso não vai prosseguir assim, a gente tem instrumentos para se colocar freios. É preciso colocar freios nisso, nesse tipo de conduta. No caso específico do ministro Toffoli, provavelmente entrou na mira dos investigadores por uma ou outra decisão que os desagradou.”

“Isso já ocorreu antes no Brasil. O cemitério está cheio desses heróis. Mesmo no elenco dos procuradores. Ninguém pode esquecer de Guilherme Schelb, Luiz Francisco e tantos mais (procuradores da República que foram acusados de abusos). Estamos preocupados, mas está dado o recado.”

“Veja as dez propostas que apresentaram. Uma delas diz que prova ilícita feita de boa fé deve ser validada. Quem faz uma proposta dessa não conhece nada de sistema, é um cretino absoluto. Cretino absoluto. Imagina que amanhã eu posso justificar a tortura porque eu fiz de boa fé.”