Itamaraty tenta decifrar enredo dos Bolsonaros

Itamaraty tenta decifrar enredo dos Bolsonaros

Coluna do Estadão

13 de julho de 2019 | 05h00

Eduardo Bolsonaro, deputado federal pelo PSL-SP Foto: Will Shutter/Câmara

Dentre as muitas teses a circular no Itamaraty, uma vem ganhando mais adeptos: o gesto de Jair Bolsonaro para emplacar seu filho Eduardo na embaixada de Washington é uma forma de o deputado ocupar futuramente o cargo de chanceler (caso uma eventual nomeação dessa natureza não seja vetada pela Justiça sob argumento de nepotismo). O pai estaria apostando no filho que, neste momento ao menos, tem mais potencial. Afinal, Flávio se vê às voltas com a investigação de seu ex-assessor Fabrício Queiroz e Carlos comprou muitas brigas.

Swap. A narrativa da tese é: manter o deputado federal no prestigiado posto por um ano e meio ou dois e, depois, fazer uma troca com Ernesto Araújo: Eduardo vira ministro e Ernesto, embaixador nos EUA.

Do bem. A troca não seria, necessariamente, um downgrade para o atual ministro. Ele já garantiria um posto num patamar elevado. E, mesmo que o próximo presidente não seja bolsonarista, ficaria já nesse rol do mais alto nível de  embaixadores do País.

Musculatura. Por fim, o movimento fortaleceria Eduardo Bolsonaro para liderar uma frente conservadora em candidaturas majoritárias, assim como Jean-Marie Le Pen fez com sua filha Marine na França, compara um embaixador.

Ô abre… O Palácio do Planalto já começou a abrir os caminhos para Eduardo Bolsonaro no Senado. Na quinta-feira, o ministro Augusto Heleno foi ao gabinete de Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da Comissão de Relações Exteriores, que analisa as indicações.

…alas. Na mesma tarde, Trad foi recebido pelo ministro da Secretaria de Governo, Luiz Ramos.

Também quero. O deboche rolou solto nos grupos de diplomatas. Uma das piadas dizia: pela “lógica” dos Bolsonaros, eu já posso ser embaixador no Japão. Faço sushi e ikebana.

Na saúde e na doença. A deputada Shéridan (PSDB-RR) foi votar a reforma da Previdência sob atestado médico: está com pneumonia. Ao cumprimentar colegas no plenário, já ia logo avisando: “Pode ficar tranquilo, não é contagioso!”.

SINAIS PARTICULARES. Shéridan, deputada federal (PSDB-RR); por Kleber Sales

Xi. A “centro-esquerda” do PSDB, que sonhava com a chance de receber Tabata Amaral (SP) caso ela deixe o PDT, se incomodou com o convite público feito a ela por João Doria. O grupo acha que o perfil mais à direita do governador afasta a jovem do ninho tucano.

Puxadinho. O PSL inaugurou somente esta semana o espaço de sua liderança no Senado. Com 16 partidos e pouca área livre, o presidente Davi Alcolumbre reformou salas afastadas para acomodá-los. O Cidadania ainda continua sonhando com a “casa própria”.

CLICK. Jair Bolsonaro perguntou a Jerônimo Goergen (PP-RS) se ele havia atendido a seu pedido na MP da Liberdade Econômica de acabar com a validade das certidões de óbito.

Deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), presidente Jair Bolsonaro e secretário de Desburocratização do Ministério da Economia, Paulo Uebel. Foto: Divulgação/Gabinete Jerônimo Goergen

Paraíso… Búzios (RJ) vive dias de caos. O famoso balneário sofre com a troca de prefeitos, em média, uma vez a cada três meses.

…ameaçado… André Granado (MDB), que estava fora do cargo desde maio por improbidade administrativa, foi reconduzido pela nona vez à prefeitura na semana passada e afastado de novo anteontem.

…e abandonado. Os serviços essenciais de Búzios entraram em colapso, afugentando turistas, com as ruas cheias de lixo, e lojas e restaurantes fechados.

PRONTO, FALEI!

Pedro Venceslau

Do Luiz Flávio Gomes, deputado federal (PSB-SP): “Fui promotor, juiz, testemunha e vítima, mas réu é a primeira vez”, sobre ser julgado no Conselho de Ética do partido por ter votado a favor da reforma da Previdência.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA

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