Itamaraty cobra explicações do embaixador do Egito

Itamaraty cobra explicações do embaixador do Egito

Coluna do Estadão

08 Novembro 2018 | 05h30

Coluna atualizada às 12h46 para correção de informação.

O Itamaraty convocou ontem o embaixador do Egito, Alaa Roushdy, para manifestar estranhamento por parte do governo brasileiro pelo adiamento da visita oficial que faria ao país árabe. A conversa foi tocada pelo  Subsecretário-Geral da África e do Oriente Médio, José Luiz. O chanceler Aloysio Nunes desembarcaria no Egito esta semana, onde cumpriria agenda de compromissos. Porém, como revelou o ‘Estado’, a ida dele foi cancelada em retaliação às declarações pró-Israel do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL). (Ao contrário do que informamos inicialmente, o chanceler Aloysio Nunes não participou da conversa. Ele está em viagem oficial)

O motivo. Oficialmente, o governo egípcio justificou o adiamento por causa de compromissos inadiáveis das autoridades do país. No entanto, nos bastidores, sabe-se que causou incômodo o anúncio, por Bolsonaro, de mudança da embaixada do Brasil em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém.

Cuida daí… Empenhado em fazer a articulação política a favor da aprovação do reajuste do salário dos ministros do Supremo e de membros do MPF, Dias Toffoli deixou ontem grande parte do comando da sessão de julgamentos no STF nas mãos do colega Luiz Fux.

…que cuido daqui. Toffoli decidiu arregaçar as mangas em prol do aumento para não ter de enfrentar uma primeira derrota enquanto presidente do STF. Havia a preocupação de o Senado rejeitá-lo após Bolsonaro declarar “não ser o momento” para isso.

Na conta. A avaliação é de que, embora o reajuste tenha sido negociado na gestão da ministra Cármen Lúcia, uma eventual reprovação cairia no colo de Toffoli. O texto foi aprovado com 41 votos.

E o meu? Esse aumento deflagrou no Congresso uma movimentação para elevar também as remunerações de deputados, senadores, ministros de Estado e vice e presidente da República. A ideia é fazer dois decretos legislativos, com a assinatura de líderes partidários, sem autoria definida.

A brecha. Por se tratar de decretos legislativos, os textos teriam de ser aprovados por maioria simples pelo plenário da Câmara e do Senado e não precisariam da sanção do presidente da República.

Fica para… A Secom da Presidência concluiu a licitação para contratar institutos de pesquisa, mas deixará para o próximo governo a decisão de admitir ou não as vencedoras.

…o próximo. Se Bolsonaro optar pelo serviço, as empresas Praxian e Ipesp, para pesquisas qualitativas e quantitativas, custarão R$ 2,4 milhões, valor 65% menor que o estimado.

CLICK. Relator da reforma tributária na Câmara, o deputado Luiz Carlos Hauly tentou convencer o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, a aproveitar o texto dele.

Paulo Guedes e Luiz Carlos Hauly. Foto: Camila Turteli/Estadão

Mudança de planos. Generais do Exército se disseram decepcionados com a sinalização de que o Ministério da Defesa pode ser comandado por alguém da Marinha.

Lado a lado. Para acomodar seu vice, Hamilton Mourão, em gabinete no 3.º andar do Planalto, Bolsonaro vai tirar de lá o pessoal do cerimonial da Presidência.

Mais um. A equipe de transição sondou o secretário-geral do Senado, Luiz Fernando Bandeira de Mello, para se unir ao grupo.

Portas fechadas. Sérgio Moro e Raul Jungmann conversaram a sós por 1h30. Já com o diretor-geral da PF, Rogério Galloro, Moro esteve na presença de servidores e combinou nova reunião para falar sobre a PF.

SINAIS PARTICULARES. Raul Jungmann, ministro da Segurança Pública; por Kleber Sales.

PRONTO, FALEI!

Deputado federal eleito, Kim Kataguiri (DEM-SP)

“As urnas deram sinal claro de que o povo quer mais transparência. E a Câmara sempre foi uma caixa preta”, DO DEPUTADO FEDERAL ELEITO KIM KATAGUIRI (DEM-SP), sobre a sua pré-candidatura à presidência da Câmara. 

COM NAIRA TRINDADE (editora interina) E REPORTAGEM DE JULIANA BRAGA

Coluna do Estadão:
Twitter: @colunadoestadao
Facebook: facebook.com/colunadoestadao
Instagram: @colunadoestadao