‘Invasão’ bolsonarista no PL irrita aliados do presidente e racha campo conservador

‘Invasão’ bolsonarista no PL irrita aliados do presidente e racha campo conservador

Camila Turtelli e Matheus Lara

27 de março de 2022 | 05h00

O presidente Jair Bolsonaro. Foto: Evaristo Sá/AFP

Apoiadores de primeira hora do presidente Jair Bolsonaro, políticos conservadoras que estão fora do PL têm feito questão de deixar clara sua decepção com os rumos do bolsonarismo dentro do partido de Valdemar Costa Neto. A divisão do campo conservador tem como principal ponto crítico justamente a aliança com o Centrão. Para os descontentes, o presidente tem se esforçado pouco e apenas assistido passivamente o bloco escolher seus nomes preferidos para as disputas de outubro, sobretudo para o Senado, ignorando planos de seguidores “fiéis” de Bolsonaro, como Bia Kicis (DF) e Daniel Silveira (RJ), preteridos por Flávia Arruda e Romário nas disputas por seus Estados.

MODO TURBO. Siglas como PRTB, PTB, Brasil 35 e até o Republicanos, que filiou lideranças como Tarcísio de Freitas e Damares Alves, intensificaram campanhas para atrair lideranças conservadoras para disputas do Legislativo.

FAMA QUE PRECEDE. Entre os caçadores de novos filiados das siglas menores, vale tudo: até dizer que dentro o PL promessas costumam valer tanto quanto nota de três reais. Fotos de Costa Neto perto de lideranças petistas têm sido usadas em conversas como moedas de argumentação e aviso de “pense melhor”.

VAI DAR RUIM. “Bolsonaro escolheu a estratégia errada”, disse a deputada estadual Janaina Paschoal (PRTB-SP). “Acho insano o número de colegas que migraram para o PL. Eu teria dividido os quadros em vários partidos, organizando uma coligação nas majoritárias”.

TÁ OSSO. Outras lideranças, como o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub e a ex-deputada Cristiane Brasil, filha de Roberto Jefferson, do PTB, também não têm poupado ataques à estrutura eleitoral de Bolsonaro para este ano. “Com o PL é certeza que vamos repetir os erros do passado”, disse Weintraub.

CLICK. Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo (PSB)

Alckmin já tem feito reuniões pensando no plano de governo da chapa com Lula (PT). Com William Callegaro, da LGBT Socialista, discutiu diversidade.

FOGO DE PALHA. Nos bastidores da terceira via, há quem acredite que a desistência da pré-candidatura de Sérgio Moro ao Palácio do Planalto pelo Podemos dependa apenas de uma saída honrosa. Um dos motivos: as contas de distribuição de fundo eleitoral dentro do partido não fecham.

COBERTOR CURTO. Para sobreviver, o partido presidido por Renata Abreu precisa investir pesado nas campanhas para a Câmara Federal e garantir uma bancada robusta de deputados na próxima legislatura.

ENCAIXE. Uma das soluções seria Moro aceitar justamente concorrer ao posto de deputado federal, como um puxador de votos. O único problema seria a escolha de um domicílio eleitoral que não chocasse com outra aposta do partido: Deltan Dallagnol.

DE LUPA. Ao abrir investigação sobre Milton Ribeiro e os pastores no MEC, Cármen Lúcia se juntou a Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso no grupo dos alvos prioritários de bolsonaristas nas redes.

SINAIS PARTICULARES (por Kleber Sales). Cármen Lúcia, ministra do STF

PRONTO, FALEI! Anitta, cantora

“Mulheres, homens, jovens, adolescentes, vão tirar esse título de eleitor. Vambora, vambora, vambora, que eu já estou fazendo demais também e uma hora eu vou cansar”

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