Interlocutores de ex-senador boliviano não descartam atentado

Andreza Matais

16 Agosto 2017 | 12h48

ROGER PINTO MOLINA/BRASILIA

 

Pessoas próximas ao ex-senador boliviano Roger Pinto Molina não descartam a hipótese de atentado no acidente aéreo que o vitimou. Molina morreu nesta madrugada após duas paradas cardiorespiratórias. As causas do acidente, ocorrido no sábado, em Luziânia, Goiás, estão sendo investigadas. Pinto Molina acalentava o sonho de retornar à Bolívia para enfrentar o grupo do presidente Evo Morales, mesmo temendo por sua vida. Ele vivia com medo.

O advogado Fernando Tibúrcio cobra das autoridades brasileiras que investiguem todas as hipóteses. “Não podemos desconsiderar nada.” Foi Tibúrcio quem acolheu Pinto Molina quando ele chegou ao Brasil após fugir da Bolívia em 2013 por razões políticas. Os dois se tornaram amigos desde então. O senador Sergio Petecão (PSD-AC) também defende investigação mais aprofundada do assunto. “A gente reza para não ser um atentado, mas não dá para descartar nada.”

A oposição na Bolívia também levanta a suspeita de crime político.

Outros amigos de Pinto Molina avaliam, contudo, que não havia motivos para um atentado, uma vez que ele não incomodava mais o governo de Evo Morales. O ex-senador, contudo, nunca deixou de acompanhar a política local, mantinha diálogo com outros refugiados políticos da Bolívia e fez ponte com oposicionistas da Venezuela.

Pinto Molina fugiu para o Brasil no dia 23 de agosto de 2013. Um dos líderes da oposição ao governo de Morales, ele sofreu ameaças após denunciar o presidente. Do govern0 brasileiro não recebeu qualquer apoio quando se refugiou na embaixada em La Paz. A então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula não queriam confusão com o amigo Evo Morales.

O apoio veio do encarregado de negócios da embaixada, Eduardo Saboia. Depois de várias tentativas de suicídio do senador, Saboia montou um plano e fugiu com ele para o Brasil. A história foi contada em reportagem que escrevi para o Estado. Pode ser lida em detalhes aqui. Saboia  foi punido pelo governo Dilma e condecorado pelo de Michel Temer pelo ato humanitário. Ele acompanhou Molina até o último momento.