Interferência do Palácio na CCJ preocupa base

Interferência do Palácio na CCJ preocupa base

Luiza Pollo

03 de julho de 2017 | 05h30

 

Foto: Wilton Junior/Estadão

Interlocutores do governo no Congresso demonstram preocupação com os movimentos feitos pelo Planalto para tentar evitar que a CCJ da Câmara autorize abertura de processo contra o presidente Michel Temer pelo Supremo Tribunal Federal. Governistas temem que as movimentações possam gerar um “escândalo dentro do escândalo”, caracterizando tentativa de obstrução da Justiça. Lembram que o ex-deputado Eduardo Cunha foi afastado do mandato justamente por tentar interferir no Conselho de Ética e na CCJ para tentar evitar sua cassação.

Atenção. O sinal de alerta foi aceso quando o governo decidiu oferecer cargo para o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco, às vésperas de ele escolher o relator da denúncia contra Temer, além de estimular troca-troca de membros da CCJ.

Armadilha. Outra preocupação é com a possibilidade de auxiliares de Temer serem gravados oferecendo cargos em troca de votos a favor do presidente. Ninguém esquece que Rocha Loures foi filmando recebendo dinheiro numa ação controlada da PF.

Retaliação. O voto do senador Eduardo Amorim (PSDB-SE) contra a reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Sociais, quase custou a cabeça do superintendente da Codevasf em Sergipe, César Mandarino.

No sal. Indicação de Amorim, Mandarino só não caiu pelo apoio do líder do governo no Congresso, André Moura (PSC-SE). Mas o senador tucano perderá seus acessos ao governo.

Rótulo. Líderes da Rede já detectaram um movimento de partidos conservadores que tentam carimbar Marina Silva como uma espécie de plano B da esquerda, caso Lula não possa disputar a eleição presidencial.

Casa vazia. Há 44 dias sem ministro, a situação da Cultura já causa desconforto em parlamentares governistas ligados ao setor.

Desinteresse. O presidente da Comissão de Cultura da Câmara, Thiago Peixoto (PSD-GO), lembra que “primeiro, o governo extinguiu o ministério. Depois, sofreu a maior restrição orçamentária. Agora, chega ao cúmulo de ser um ministério sem ministro”, diz.

Mulheres unidas. A advogada-geral da União, Grace Mendonça, e a indicada à PGR, Raquel Dodge, combinaram um encontro nas próximas semanas.

Tem assunto. As duas entendem que acordos de leniência só funcionam com a participação dos órgãos de controle: Transparência, TCU, AGU e MPF.

No forno. Rodrigo Maia deve responder ao STF que irá deliberar sobre os pedidos de impeachment de Temer após a Casa decidir se autoriza abertura de denúncia contra o presidente.

CLICK. O governador Flávio Dino provou alimentos produzidos por internos na barraca da Secretaria da Administração Penitenciária no São João do Maranhão.

Jeitinho. O senador Hélio José (PMDB-DF), que perdeu os cargos no governo depois de votar contra a reforma trabalhista, conseguiu realocar seus apadrinhados no Senado.

Passado. Nos velhos tempos, o senador dizia que conseguia nomear até uma melancia no governo.

Querendo saber. O governo se pergunta a razão pela qual o procurador-geral Rodrigo Janot não compartilhou com a PF os dados referentes à investigação do procurador Ângelo Villela, preso acusado de se vender para Joesley Batista.

Renan Calheiros

Senador (PMDB-AL)

“Farei o possível para que os trabalhadores brasileiros não sejam punidos pelas decisões erradas deste governo”, sobre seu novo papel como oposição.

Tendências: