Instituições brecam agenda conservadora

Instituições brecam agenda conservadora

Coluna do Estadão

30 de dezembro de 2019 | 05h00

Presidente Jair Bolsonaro. FOTO: GABRIELA BILO/ESTADÃO

Apesar de ter vocalizado posições radicais no campo dos costumes e da cultura, Jair Bolsonaro não conseguiu fazer avançar neste primeiro ano de mandato pontos caros à agenda ultraconservadora nacional. Do ensino domiciliar à flexibilização total do porte de armas, passando pelo excludente de ilicitude, as pautas bolsonaristas foram barradas ou desidratadas pelo Congresso ou outras instituições. Sem falar no projeto da escola sem partido e na tese da redução da maioridade penal, que nem sequer chegaram a ser levadas a sério pelo Legislativo.

Prioridade. Todos esses temas constaram da campanha a presidente de Jair Bolsonaro em 2018. Somente no caso das armas o presidente, via decretos, se mostrou mais ativo em 2019.

Ainda pulsa. Bolsonaro e seu entorno, porém, avaliam que o ano foi importante para “despetizar” a máquina: o terreno está aplainado para a agenda ultraconservadora avançar.

Me ajuda aí. Em rede social ontem, Bolsonaro saudou o aumento de 50% no registro de armas de fogo este ano, levando-se em conta o mesmo período de 2018. “Dependo do Parlamento para ampliar o direito a posse/porte para mais cidadãos”, afirmou ele.

Deu jogo. O ativismo governamental foi efetivo na cultura, nas relações internacionais e na educação, pelas mãos de ministros alinhados com o Planalto: Roberto Alvim, Ernesto Araújo e Abraham Weintraub, respectivamente.

Bem na fita. Quem termina o ano em alta na Esplanada é Damares Alves. O ministério comandado por ela (Mulher, Família e Direitos Humanos) está bem posicionado para a partir de 2020 incorporar programas, como a nova versão do Bolsa Família, e pastas.

Será? Por conta do prestígio de Damares no Planalto, é dado como certo que na volta do recesso do Congresso, a partir de fevereiro, será instalada a comissão para analisar o projeto de lei do homeschooling.

Devagar. A maioria no Congresso abraçou a pauta econômica de Bolsonaro, diz experiente parlamentar, mas tem reservas quanto à agenda de costumes.

CLICK. O ministro Og Fernandes, do STJ, fez uma enquete em sua conta no Twitter sobre o juiz de garantias. A maioria esmagadora disse ser contra a medida: 68%.

Enfim… Após ter passado dois anos procurando uma “marca” para sua administração na capital paulista, Bruno Covas (PSDB) parece ter encontrado um caminho que o diferencia dos antecessores: os programas na área da educação.

…achou. O prefeito vai apostar em avanços nessa área para se diferenciar de Fernando Haddad (PT).

Personagens… Um dos mais fiéis aliados do Planalto, Davi Alcolumbre (DEM-AP) termina o ano em alta com Jair Bolsonaro, principalmente por ter matado no peito a pressão pela CPI da Lava Toga.

….de 2019. O presidente do Senado se empenhou para emplacar Eduardo Bolsonaro embaixador em Washington (EUA). Mas, após ter articulado e feito muitas contas, chegou à conclusão de que não dava.

SINAIS PARTICULARES 
Davi Alcolumbre, presidente do Senado

ILUSTRAÇÃO: KLEBER SALES/ESTADÃO

Correção. Por um descuido de digitação, a Coluna errou o período de campo da pesquisa da Quaest publicada ontem. A consulta foi feita foi entre 26 e 27 de dezembro, e não entre 26 e “7” de dezembro. A informação foi corrigida.

BOMBOU NAS REDES!

Deputado Eduardo Bolsonaro. FOTO: GABRIELA BILO/ESTADÃO

Eduardo Bolsonaro, deputado federal (PSL-SP): “Podiam obrigar aqueles que são a favor do maravilhoso DPVAT a pagar o dobro – e o valor antigo, talkei”, sobre redução no valor do seguro obrigatório.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA

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