Ibope: resiliência e desgaste de Bolsonaro

Ibope: resiliência e desgaste de Bolsonaro

Coluna do Estadão

24 de março de 2020 | 05h00

Presidente Jair Bolsonaro. FOTO: GABRIELA BILO/ESTADÃO

Para além dos resultados aferidos, a pesquisa Ibope (em parceria com o ‘Estado’ e a Associação Comercial de SP) subsidiou no meio político algumas previsões quanto ao futuro de Jair Bolsonaro. A notícia boa para os adversários dele: a desaprovação de 48% à administração federal leva a crer que o desgaste ocorrerá em intensidade semelhante nos demais grandes centros do País. A ruim: os 25% de ótimo/bom em território tão hostil a Bolsonaro e sob forte impacto da crise do coronavírus comprova a resiliência do presidente e do bolsonarismo.

A ver. Em resumo, no arrazoado das análises e previsões colhidas pela Coluna, apenas as bobagens e as contradições diárias de Bolsonaro ainda não foram (e muito possivelmente não serão) suficientes para derreter o presidente entre o grupo dos 30% de brasileiros que o veneram.

Vento… O Bolsonaro que se reuniu com governadores do Nordeste não menosprezou a covid-19. Segundo quem acompanhou a teleconferência, o presidente parece ter entendido a gravidade da situação.

…virou? “Meu muito obrigado pela oportunidade, parabéns a todos nós pelo entendimento e pela cooperação. Tenho certeza de que juntos não só venceremos esse obstáculo, bem como sairemos muito mais fortes”, disse Bolsonaro.

Velas. No Planalto, a reunião foi considerada bem sucedida e muito comemorada. Palacianos temem o encontro de amanhã, que terá João Doria (SP) e Wilson Witzel (RJ). A expectativa é de que Romeu Zema (MG) seja capaz de quebrar um pouco o gelo.

Passa pra cá. O deputado Marcelo Ramos (PL-AM) defende que a Câmara vote, mesmo em acordo com o Executivo, um projeto próprio sobre mudanças de regras trabalhistas durante a epidemia da covid-19.

Deixa pra lá. Para ele, a MP editada pelo governo deveria ser retirada e não somente reescrita. Acredita que ela não terá a concordância de três quintos da Câmara para ser aprovada. A regra foi estabelecida na semana passada com objetivo de evitar que medidas polêmicas sejam submetidas às votações à distância.

CLICK. A desembargadora do TRT-15, de Campinas, Gisela Moraes, viralizou nas redes sociais após ter dito que “com amor, não se pega vírus” na solenidade de abertura do ano judiciário. “Hoje essa solenidade foi feita de aperto de mão, foi feita de beijo, foi feita de abraço, e quando a gente faz isso com amor, a gente não pega vírus, não é?” , disse, antes de ser aplaudida. A fala aconteceu em 12 de março, quando já existiam 46 casos confirmados de Covid-19 em São Paulo.

Divulgação

Diplomacia. No Twitter, sobrou para Osmar Terra. Em resposta a um retuíte do ex-ministro em que dizia que a “melhor defesa” contra doenças não é o isolamento, mas a informação, a mulher do governador Helder Barbalho (PA), Daniela, respondeu: “Então saia do Twitter e como médico vá para os hospitais ajudar os demais. Seria bem melhor”.

Alvo. O governo de Ibaneis Rocha (MDB) catalogou os moradores em situação de rua do DF: 1.851. É nesse grupo de risco que deve focar ações: 1) tentar encontrar as famílias; 2) encaminhar para centros de acolhimento do governo os que não as possuírem.

Teoria e prática. Médico, Ronaldo Caiado (DEM-GO) está aliando conhecimentos de saúde pública no combate, como governador, à covid-19. Com megafone, foi pessoalmente ontem dispersar uma fila malfeita de idosos em frente a posto de saúde de Goiânia.

SINAIS PARTICULARES.
Ronaldo Caiado, governador de Goiás

Ilustração: Kleber Sales

Carteira. O líder do PL na Câmara, Wellington Roberto (PB), protocolou projeto que autoriza o governo a tomar empréstimos compulsórios com empresas bilionárias: 10% de pessoas jurídicas com patrimônio líquido igual ou superior a um bilhão de reais.

Carteira 2. Pela proposta, o valor seria pago ao governo em até um mês. Se o valor superar um milhão, poderá ser parcelado em até três meses. O governo teria quatro anos, a contar do fim da calamidade pública, para restituir o empréstimo aos bilionários.

PRONTO, FALEI!

Fabiano Contarato. FOTO: GABRIEL LORDELLO/ESTADÃO

Fabiano Contarato, senador (Rede-ES): “Por medo do barulho ensurdecedor das panelas, Bolsonaro recua, enquanto a crise vai consumindo o País”, sobre a polêmica em torno da MP trabalhista.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. 

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