Hora de o superministro mostrar superpoderes

Hora de o superministro mostrar superpoderes

Coluna do Estadão

15 de abril de 2019 | 05h00

Paulo Guedes na CCJ. FOTO: ANDRE COELHO/ESTADÃO

Se até aqui o espírito no mercado financeiro e no setor produtivo se resumia a “in Paulo Guedes we trust”, nesta semana essa confiança ganha ares de desafio. Os próximos passos do governo, após a intervenção de Jair Bolsonaro na Petrobrás, serão essenciais para definir não só o futuro da estatal, mas o quanto o superministro tem superpoderes. Os dois se encontram hoje às 16h. Quando Guedes diz ser possível “consertar” erros do chefe que não sejam razoáveis, desperta esperança na ala mais apaixonada pelo ministro de ouvir um mea culpa do presidente.

Who is the boss? Quem tem pé no chão sabe que, se o governo voltar atrás, será uma desautorização do presidente. Por isso, há aposta numa terceira via: o preço continua oscilando em função do petróleo internacional, mas com uma janela para “correções”.

De olho… Bolsonaro tem sido cada vez mais direto em suas conversas reservadas sobre o incômodo com o vice-presidente do País, general Hamilton Mourão.

… na rede. Dia desses reclamou longamente a um aliado que o vice curtiu uma publicação na rede social Instagram em que uma jornalista criticava o presidente e elogiava o general.

Arrumando… O ministro da AGU, André Mendonça, quer desistir de metade das ações que beneficiários da Previdência impetraram contra o INSS em tribunais superiores, como o STF.

… a casa. Dos cerca de 12 milhões de processos que a AGU toca, 5,2 milhões são relativos à Previdência. Mendonça disse que irá levantar quais processos já têm jurisprudências posteriores favoráveis à União.

SINAIS PARTICULARES. 

André Mendonça, advogado-geral da União

Kleber Sales

Uni-vos. A esquerda tenta estar mais unificada, pelo menos na pauta da Previdência. Presidentes de partidos e seus líderes jantaram em Brasília na semana passada. Dois tópicos foram banidos da conversa: “Lula Livre” e Ciro Gomes.

Déjà vu. A oposição pretende usar a estratégia do segundo turno da campanha eleitoral do ano passado, o fracassado “vira voto”, na batalha pelo convencimento dos brasileiros contra a proposta de reforma da Previdência apresentada pelo governo Bolsonaro.

Azedou. A decisão do governo de não inverter a pauta na CCJ para votar o orçamento impositivo antes da Previdência contrariou líderes. O gesto foi visto como (mais) uma provocação. O bate-cabeça pode atrasar em uma semana a Previdência.

Pegou mal. O presidente do colegiado, Filipe Francischini, saiu com filme queimado. Havia sinalizado que toparia acordo, mas acabou mandando mensagem no grupo de coordenadores da CCJ para avisar que não o faria porque o regimento interno não permitia. Ninguém respondeu.

CLICK. Até o BC brincou com a estreia da nova temporada de Game of Thrones, que foi ao ar ontem à noite. “Um sistema financeiro forte é importante em qualquer sociedade, mesmo Westeros”, diz a postagem.

Fale por… Deputados da bancada evangélica reagiram à intenção do deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ) de apresentar projeto para tratar homofobia como “patologia psiquiátrica”, como revelou a Coluna. O tema rendeu discussões calorosas ontem no grupo de WhatsApp.

… você. “A bancada não participou da reunião, sequer foi convidada e não concorda em tratar homofobia como doença. Não há cura para o que não é doença”, rebateu o deputado Marco Feliciano (Pode-SP).

PRONTO, FALEI!

MCHEL JESUS/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Jhonatan de Jesus, líder do PRB na Câmara: “Não tem isso de primeiro ministro. O sistema é presidencialista, e o presidente precisa assumir sua responsabilidade e não transferir pro presidente da Câmara”, sobre declaração do líder do PSL, Delegado Waldir, de que Rodrigo Maia seria “primeiro-ministro”. 

JULIANA BRAGA E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU NAIRA TRINDADE.

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