Haddad põe acusado de caixa 2 como tesoureiro da campanha

Haddad põe acusado de caixa 2 como tesoureiro da campanha

Coluna do Estadão

27 de setembro de 2018 | 05h30

Fernando Haddad, presidenciável, e Francisco Macena, ex-secretário

O petista Fernando Haddad nomeou como tesoureiro de sua campanha ao Planalto seu ex-secretário Francisco Macena. Os dois são alvo de inquérito da Polícia Federal que apura suposto uso de caixa 2 na eleição dele à Prefeitura de São Paulo em 2012. A acusação foi feita pela empresária Mônica Moura, mulher do marqueteiro João Santana. Em delação premiada, ela relatou reunião com Antonio Palocci, João Vaccari e Macena na qual ficou combinado que, da conta de R$ 30 milhões no 1.º turno, R$ 10 milhões seriam pagos por fora pela Odebrecht.

Juntinhos. Haddad oficializou Macena como administrador financeiro da sua atual campanha dois dias depois de Lula indicá-lo como candidato ao Planalto. Na colaboração, Mônica afirmou que tanto ele quanto Haddad sabiam dos pagamentos em caixa 2.

Tá gravado. Sobre o atual tesoureiro de Haddad, a delatora disse em depoimento: “Ele participou da conversa em geral, valores, então ele sabia da parte por fora”. Com relação a Haddad, afirmou que nas conversas com ele, quando cobrava pagamentos atrasados, “ficava claro que era dinheiro por fora”.

O eleito. A empresária contou, ainda, que no 2.º turno recebeu R$ 10 milhões “por fora”. Mônica Moura reconheceu que o valor para essa fase da disputa é alto, mas afirmou que Lula queria muito eleger Haddad prefeito. “Todo mundo queria a vaga (de candidato), mas o Lula bancou.”

Com a palavra. A assessoria de Haddad diz que “não há depoimento ou registro de qualquer declaração nesse sentido. Há apenas presunções, ilações, sem base objetiva. O então prefeito não só não participou como jamais teve ciência de tais negociações. Não houve qualquer indicativo de tratativas por fora”. A defesa de Macena afirma que “são inverídicas as alegações de Mônica Moura e que não participou de reunião para tratativas de pagamento por fora na campanha de Fernando Haddad para a prefeitura de 2012”.

Se não ajuda… A campanha de Geraldo Alckmin reclama que, além do trabalho para fazer o tucano crescer nas pesquisas, ainda precisa lidar com o fogo amigo. Ontem, foi a vez de o tucano Bruno Araújo, candidato ao Senado em PE, dizer que apoiará Jair Bolsonaro em eventual 2.º turno.

…não atrapalha. No DF, o candidato ao governo Alberto Fraga (DEM) também declarou apoio ao capitão no 2.º turno. Internado, Bolsonaro mandou mensagem a ele dizendo que “estarão juntos”.

Pulando do barco. Deputados tucanos em São Paulo, quando questionados porque não têm feito campanha para Geraldo Alckmin, dizem que “poder de convencimento tem limites”.

Conveniência. A cúpula do MDB não descarta apoiar Haddad no 2.º turno, apesar da rixa com o PT. A sigla de Temer está dividida. Em comum os dois partidos não estão satisfeitos com a Lava Jato.

Rastro. O Itamaraty já sabe quem acessou telegramas relatando suposta ameaça de morte de Bolsonaro à ex-mulher em 2011. O caso vai ser encaminhado ao corregedor Wladimir Valler. Se punido, o oficial de chancelaria pode ser demitido.

Vai que cola. Está sendo compartilhada por meio das redes sociais de evangélicos uma mensagem com dois trechos da Bíblia. No primeiro, cita-se “o mal que Hadade fazia”. No segundo, fala que “Jair” se levantou “para defender o povo de Deus”. As passagens citadas até falam desses personagens, mas não da maneira escrita.

Quebrando a cabeça. A Advocacia Geral da União (AGU) vai buscar solução alternativa para recuperar o dinheiro desviado pelas mãos dos doleiros Raul e Jorge Davies, presos na Operação “Câmbio, Desligo”. Com orçamento apertado, a pasta quer economizar o dinheiro que gastaria para constituir advogado no Uruguai.

CLICK. Edinho Silva (PT), ex-ministro de Dilma Rousseff, e o ex-presidente do PT Rui Falcão se encontraram terça, 25, no Café Girondino, em SP. “Falamos de futebol”, ironizou Edinho.

FOTO: COLUNA DO ESTADÃO

Patrulha. O ministro Ronaldo Fonseca, da Secretaria-Geral da Presidência, cobrou explicações do secretário de Assuntos Estratégicos, Hussein Kalout, por ter se reunido com o vice de Bolsonaro. Após o puxão de orelhas, ouviu pedido de desculpas.

Encontro. No Supremo os dois vivem em pé de guerra, mas na vida acadêmica… Gilmar Mendes recomenda a seus alunos na graduação do IDP o livro de Luís Roberto Barroso Controle de Constitucionalidade. Barroso também já citou obra de Gilmar como “símbolo de sua geração”.

PRONTO, FALEI! 

Foto: DIDA SAMPAIO/ESTADAO

“Em determinados segmentos, a proibição de contratar com poder público é uma pena de morte. E existem algumas empresas que merecem pena de morte”, DO MINISTRO DO TCU, BRUNO DANTAS. 

COM REPORTAGEM NAIRA TRINDADE E JULIANA BRAGA. COLABOROU LU AIKO OTA 

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