Guido Mantega amplifica dúvidas sobre qual será o projeto econômico de Lula

Guido Mantega amplifica dúvidas sobre qual será o projeto econômico de Lula

Alberto Bombig e Camila Turtelli

05 de janeiro de 2022 | 02h01

Foto: Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda de Dilma e Lula. Foto: ALEX SILVA/ESTADÃO

O ano eleitoral começou aumentando a pressão sobre Lula em relação aos planos do petista para a economia. Estão pegando muito mal entre empresários, mercado e políticos de centro as sinalizações de que Guido Mantega poderá, de alguma forma, compor a equipe da campanha presidencial petista: o ex-ministro da Fazenda, como se sabe, foi um dos responsáveis pelo desastre econômico do final dos anos Dilma Rousseff. Não bastasse, a provável aliança de Lula com Geraldo Alckmin está sob ataque da esquerda, inclusive de alas do PT. No entorno do ex-presidente, porém, segundo apurou a Coluna, existe a certeza de que ainda não há definição de quem será o porta-voz econômico de Lula.

DIZ AÍ. A pressão sobre Lula é um efeito colateral das dificuldades da terceira via: como o ano virou sem que tivesse aparecido um nome capaz de fazer frente ao petista e a Jair Bolsonaro, o mercado financeiro, o centro e o setor produtivo do País acham que já é hora de pedir mais clareza sobre o pensamento econômico de Lula.

RELAX. Na seara política, os artífices da aproximação entre Lula e Alckmin consideram a reação das alas de esquerda do partido e de seus aliados esperada e residual: ou seja, restrita a grupos minoritários. Avaliam até que ela precipita discussões e problemas que surgiriam mais adiante este ano.

SEM PAZ. Se o tempo pode jogar a favor de Lula na costura política, na economia ele se transforma em um problema: enquanto não deixar claro quem será seu “guru” econômico, ele será pressionado.

CLICK. Arthur Virgílio Neto, ex-prefeito de Manaus (PSDB)

Foto: COLUNA DO ESTADÃO

Presença do tucano, um histórico do PSDB, em jantar com Lula foi comemorada como muito relevante pela ala petista que busca ampliar o diálogo em busca do centro.

AINDA… Entusiastas e idealizadores do Aliança pelo Brasil reuniram apenas 35% das 492 mil assinaturas necessárias para dar seguimento à criação do partido, lançado para ser o esteio do bolsonarismo ou a “casa dos conversadores” do País.

…PULSA. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrava no final de 2021 pouco mais de 172 mil assinaturas. Mas o pessoal envolvido na coleta diz ter outras 100 mil delas represadas, a serem atualizadas no sistema. Há dificuldades em angariar apoios nas regiões Norte e Nordeste, principalmente.

A LUTA CONTINUA. “O trabalho continua, apesar de todas as dificuldades: falta de apoio, lockdowns, período eleitoral municipal com os cartórios eleitorais trabalhando por conta disso, quatro meses de cartórios eleitorais fechados. Mas seguimos na luta”, diz o advogado Luís Felipe Belmonte.

FICO. É aguardado para breve o “Dia do Fico” de Ciro Nogueira na Casa Civil de Jair Bolsonaro. O ministro, apesar da vontade em sentido contrário de vários aliados, tem deixado cada vez mais de lado o sonho de disputar o governo do Piauí.

SINAIS PARTICULARES (por Kleber Sales), Ciro Nogueira (PP-PI), ministro-chefe da Casa Civil

FICO 2. Mas tudo dependerá de como serão estes primeiros meses do governo Bolsonaro no ano eleitoral. Segundo quem conversa com o ministro, a candidatura sempre será um “assento ejetável” para ele pular fora de uma eventual catástrofe.

PRONTO, FALEI! Heni Ozi Cukier, cientista político deputado estadual (Novo-SP)

Foto: CHRISTINA RUFATTO/ESTADÃO

“Vivemos em um momento tão intrigante que pessoas usando o cinto de segurança batem o carro mas continuam recomendando seu uso! Parece piada! Ninguém acha, no mínimo, curioso? Nem a ciência pode nos salvar quando somos guiados por quem ignora lógica primária”, sobre Janaina Paschoal (PSL-SP) ter questionado a eficácia das vacinas.

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