Grupos cívicos e de renovação recalculam rota diante de ameaças à democracia

Grupos cívicos e de renovação recalculam rota diante de ameaças à democracia

Alberto Bombig e Matheus Lara

29 de agosto de 2021 | 05h00

As ameaças à democracia fizeram grupos cívicos que em 2018 foram mais associados à pauta da renovação definirem a defesa das instituições como a principal bandeira para 2022. Raps, RenovaBR, Acredito, Agora e Livres veem a contenção de retrocessos como urgência.

A leitura é que o bolsonarismo fez escancarar a diferença entre quem defende a democracia e quem faz pouco caso dela. Agora, alguns desses grupos tentam separar o joio do trigo ao avaliar que pode ter sido um erro acreditar que qualquer um é bem-vindo para renovar a política.

Posição. O Acredito tem participado de atos contra Bolsonaro e as lideranças que se candidatarem terão de se comprometer a atuar contra a tentativa de reeleição do atual presidente. “A urgência agora é a defesa da democracia”, diz o cofundador Frederico Lyra Netto.

Foto: Divulgação/Movimento Acredito

Limite. A Raps, cujas lideranças estão espalhadas por 29 siglas, deixa claro que preza pela diversidade, mas destaca que um de seus principais valores é a defesa da democracia. “Estamos todos preocupados com os riscos à ordem”, diz Mônica Sodré.

Leitura. Da diretora-executiva do RenovaBR Irina Bullara: “As prioridades de quem busca a renovação são diferentes a depender do contexto político. A democracia é o único caminho possível. Ela deve ser fortalecida e jamais interrompida. Seguiremos para 2022 com o mesmo propósito: selecionar e qualificar mais democratas.”

Ação. Para o Livres, o foco estará na prática. Mano Ferreira afirma que a boa prática política se dá no cultivo da cultura democrática e no aperfeiçoamento do processo político via mudanças legislativas. O Agora, como destaca Leandro Machado, tem se manifestado em relação ao “descalabro” do governo e se aliado a outros grupos em movimentos como o Super Impeachment.

Sem opção. Expoente dos grupos cívicos em 2018, Felipe Rigoni (PSB-ES) resume uma visão comum entre líderes dessas entidades: a de que a polarização tende a piorar o cenário de ameaças à democracia. “Os grupos têm papel fundamental na qualificação do debate público e uma das principais ações, agora, é ajudar na criação de uma candidatura de terceira via no centro democrático.”

Até aqui. Tabata Amaral (PDT-SP) defende unir quem pensa diferente, mas com uma linha bem riscada no chão: “Vamos continuar a denunciar as manobras de quem usou democracia para se eleger só para instalar um projeto autoritário. Vamos buscar convergências e unir pessoas de todo o espectro político na defesa da nossa democracia”.

Bacamarte. No prefácio do Código de Machado de Assis, livro recém-lançado de Miguel Matos (CEO no portal Jurídico Migalhas), o ministro Luís Roberto Barroso cita O Alienista e, sem dar nomes, deixa claro que precisamos de um lugar para abrigar os malucos do País. “Uma Casa Verde hoje em dia… sei não”…

SINAIS PARTICULARES. Luís Roberto Barroso, ministro do STF. Ilustração: Kleber Sales/Estadão

Disputa… Em ofensiva contra Doria, dois ex-presidentes do diretório estadual do PSDB de São Paulo anunciaram apoio a Eduardo Leite nas prévias tucanas.

…interna. Antonio Carlos Pannunzio e Pedro Tobias afirmam que o governador gaúcho representa união. Aliados de Geraldo Alckmin, eles devem acompanhar o ex-governador no movimento de saída do partido.

Reação. Leite agradeceu em carta pública o apoio dos ex-dirigentes. “Pannunzio ergueu pontes. Tobias olhava o partido e não a si próprio. Não tinha muita preocupação em aparecer: o que ele queria mesmo era resolver.”

De novo isso? A enxurrada de ações sobre quem pode ou não ir às ruas no Sete de Setembro fez o juiz Randolfo Ferraz de Campos mandar até um recado na decisão em que afirmou que ninguém pode impedir opositores do presidente Jair Bolsonaro de protestar no 7 de Setembro fora da Avenida Paulista: “Não cabe, a todo tempo e por conta de qualquer intenção de realização de manifestação, exarar decisões”.

Eita! Após a Comissão de Ética da CBF abrir caminho para a volta do presidente afastado Rogério Caboclo, acusado de assédio moral e sexual contra uma funcionária, nos corredores da entidade, hoje nas mãos de opositores do ex-dirigente, a conversa é no sentido de instalar um bafômetro na entrada do prédio…

CLICK. Jules Guépratte (à esq.), da TV Al Jazeera English, que acompanhou protestos indígenas em frente ao STF na expectativa de votação do marco de demarcação.

PRONTO, FALEI!

João Amoêdo, ex-candidato a presidente (Novo-RJ)

“Lula ameaça regular a imprensa e a internet, se eleito, e usa como exemplo a Venezuela. Lula e Bolsonaro ficarão no passado, junto com suas péssimas ideias.”

João Amoêdo. Foto: Wilton Junior/Estadão

COLABORARAM ELIANE CANTANHÊDE E PEDRO VENCESLAU

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