Governo tem o copo meio cheio para aprovar reforma da Previdência

Governo tem o copo meio cheio para aprovar reforma da Previdência

Alberto Bombig

13 de fevereiro de 2019 | 10h46

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia. FOTO: LUIS MACEDO/AG. CÂMARA

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro e a equipe econômica tentam finalizar a proposta de reforma da Previdência, parlamentares mais experientes acham, em linhas gerais, que o cenário no Congresso hoje é aquele sintetizada pela imagem do copo meio cheio, meio vazio.

Meio cheio porque pela primeira vez na história parte significativa da classe política parece ter acordado para a importância de evitar o colapso total do sistema de aposentadorias brasileiro e porque o PT está fragilizado após a derrocada da última gestão Dilma Rousseff (2015-2016). O aparente ocaso esquerdista diminui a possibilidade de protestos tomarem as ruas e abriu canais de comunicação do governo com partidos que antes eram satélites do petismo. Soma-se a isso a popularidade ainda em alta de Jair Bolsonaro e a vitória de Rodrigo Maia (DEM), defensor da mudança na regras, na disputa pela presidência da Câmara.

Meio vazio porque o PSL, partido do presidente, não consegue demonstrar coesão em torno da defesa da equipe econômica e porque o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil), apesar da importante vitória no apoio a seu correligionário Davi Alcolumbre (DEM) na eleição para presidente do Senado, ainda derrapa em algumas curvas da articulação política. O pessimismo da turma que enxerga o copo desguarnecido para a reforma da Previdência aumenta quando o assunto é o projeto anticrime do ministro Sérgio Moro (Justiça), pois ele também exigirá suor governista no Congresso, numa evidente dissipação de energia da base.

Os parlamentares mais experientes concluem o raciocínio lembrando que começar a guerra pela aprovação da reforma com o copo até o meio de água é um bom ponto de partida e que a luta pelos votos que ainda faltam será mesmo no conta gotas, no pinga pinga. Mas deixam um alerta: o grande risco para o Planalto, neste momento, é se perder em torno da formulação final da proposta, entre avanços e digressões, demorar para enviar o texto ao Congresso e, dessa forma, deixar a água que resta no copo evaporar pouco a pouco