Governo sem norte na agenda das reformas

Governo sem norte na agenda das reformas

Coluna do Estadão

26 de setembro de 2021 | 02h00

 

Presidente Jair Bolsonaro. FOTO: ISAC NÓBREGA/PR

A tramitação da reforma administrativa, em meio a recuos e acusações de privilégio que fizeram o texto ser chamado de “antirreforma”, é só a mais recente de uma sequência de complicações envolvendo matérias importantes da agenda econômica. Para analistas do setor, tem ficado claro o desnorteamento do governo federal com a desfiguração de projetos no Congresso por falta de diálogo e de capacidade de articulação. “Sem alguém para dar o norte, a chance de aparecerem cavalos com chifre é brutal”, afirma o economista Celso Toledo.

Lista. A desidratação da PEC Emergencial, os “jabutis” das mudanças no IR e na MP da privatização da Eletrobras, além do Orçamento capturado por emendas são mais exemplos.

Não é… “Reformar é melhorar estruturalmente as contas públicas e a capacidade de crescimento do País. Não é o caso. São medidas localizadas”, diz a economista Zeina Latif.

…assim. “Não que privatizar a Eletrobras não tenha benefício, por exemplo, mas, do modo como foi feita, para atender a interesses paroquiais do Congresso, é questionável, assim como a PEC Emergencial sem esforço fiscal de ajuste por parte do governo”, diz Zeina.

Perdidos… Para Toledo, se o governo tem um norte definido, as negociações e concessões ao Parlamento tendem a seguir um caminho na direção esperada, uma vez que o Executivo estabeleceria limites dentro da meta que persegue (validada eleitoralmente).

Chave. Do cientista político Rodrigo Prando: “Em que momento o governo Bolsonaro se mostrou aberto ao diálogo, à negociação e ao planejamento? Havia expectativa do mercado, mas Paulo Guedes não teve condições de avançar em reformas porque o presidente aposta no presidencialismo de confrontação”.

Trevas. Preparem as velas: cresce entre técnicos do setor elétrico a preocupação com um verão cheio de apagões no País por conta da atual crise.

SINAIS PARTICULARES, Jair Bolsonaro, presidente da República

Calma… Não é unânime a leitura de que Lula conseguiu selar a paz em Pernambuco. Integrantes da Executiva Nacional do PSB, por exemplo, pregam mais cautela na relação com o PT.

…aí. Ainda há quem defenda condicionar o apoio a Lula somente se houver novo recuo de Marília Arraes (PT) no Estado, em prol de uma candidatura do PSB a governador (o nome mais cotado é o do ex-prefeito de Recife Geraldo Júlio).

Matemática. A cautela se dá diante da constatação de que a conta pode não fechar, já que Arraes lidera com folga as pesquisas.

Pera lá. O grupo que pede calma na relação com o PT defende que o PSB jogue com as brancas rumo a 2022, ao invés de ficar esperando os movimentos do PT, como ocorreu quatro anos atrás. Num xeque aos petistas, alguns falam em ter mais conversas com Ciro Gomes (PDT).

CLICK. Patricia Ellen, secretária estadual de Desenvolvimento Econômico de SP, tomou a segunda dose da vacina contra a covid-19: “Chorei de alívio e emoção”.

 

PRONTO, FALEI!

Roberto Requião, ex-governador e ex-senador do Paraná
“Bolsonarista raiz não reclama da carestia. Usa luz de velas, anda a pé e toma sopa de osso.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MATHEUS LARA

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