Governo quer comparar Temer ao técnico Tite

Governo quer comparar Temer ao técnico Tite

Luiza Pollo

19 de outubro de 2017 | 05h30

Foto: Montagem/Estadão

Superada a votação da denúncia contra o presidente Temer na CCJ da Câmara, a comunicação do governo vai iniciar em 10 dias uma nova campanha mais agressiva nas redes sociais, que vai atacar a gestão Dilma Rousseff para fazer um contraponto com a atual. A campanha é inspirada na derrota do Brasil por 7 a 1 para a Alemanha e na reviravolta do time com a mudança do técnico. A ideia é sugerir que Dilma é o Felipão; Temer o Tite. Para reforçar, as peças vão mostrar um ranking de 7 mil obras paradas que Temer herdou do governo petista.

Meu querido! A campanha vai explorar também o estilo de cada um. Mostrar, por exemplo, as diferentes maneiras que Temer e Dilma atenderiam a ligação de um jornalista, aproveitando o episódio de um repórter que telefonou para o presidente no intuito de confirmar se o número era dele. O áudio foi divulgado pelo O Globo.

Era pra ser. O líder do PSDB na Câmara, Ricardo Trípoli (SP), da ala que defende a abertura de processo contra Temer, convocou reunião da bancada para ouvir dois advogados do partido na expectativa de oferecer argumentos a favor da denúncia.

Saiu do script. Qual não foi a surpresa e a saia-justa quando os advogados expuseram que a denúncia é inepta, inconsistente, sem provas, baseada em ilações e narrativas construídas sem a substância probatória necessária em processos dessa natureza.

De fininho. Sem graça, Trípoli não ficou até o final da reunião. A ala pró-Temer não perdoou e tratou de espalhar que o líder fez um gol contra ao não combinar com os russos.

Tucanos. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, convenceu o PSDB a liberar os votos na 2.ª denúncia contra Temer. Na 1.ª o partido recomendou voto pela abertura do processo.

Assim não saio. Aécio Neves disse a interlocutores que já tinha planos de deixar a presidência do PSDB, mas recuou quando veio a público o movimento para tirá-lo. Não vai sair enquanto ficar a impressão de que foi obrigado. Seus aliados apostam que ele fica. O raciocínio é lógico: se não saiu quando estava sem mandato, imagine agora.

Magoado. O presidente Temer está magoado com seus líderes na Câmara e se queixou de que nenhum deles discursou defendendo a portaria que alterou os critérios para a identificação de trabalho escravo.

Injusto. Temer se queixa de que o decreto foi editado a pedido de várias bancadas, mas ninguém foi ao plenário defender após a crise.

CLICK. O diretor de relações institucionais da Claro, Fábio Andrade, convidou senadores e deputados para jantar em homenagem ao conselheiro da Anatel Igor Vilas Boas. A Agência Nacional de Telecomunicações fiscaliza operadoras, como a Claro.

 

Só festa. À Coluna, Andrade disse que organizou o jantar para “prestigiar” o conselheiro, que conclui o mandato este mês. Ele não vê conflito na relação. “Se fosse na entrada dele na agência, mas na saída não vejo problemas. É uma homenagem.”

Pensando bem… Mesmo assim, minutos depois de ter sido procurado, mudou de opinião e cancelou o jantar “para evitar a nota [na Coluna] e interpretações”.

Tá podendo. O ministro Torquato Jardim participou nesta semana de reunião dos superintendentes da Polícia Federal, uma agenda interna da corporação. A presença dele foi lida na PF como sinal de prestígio ao diretor Leandro Daiello, que fica no cargo até 2018 a pedido do ministro.

SINAIS PARTICULARES: Torquato Jardim, ministro da Justiça; por Kleber Sales

 

PRONTO, FALEI! 

“O erro de Janot foi personalizar a investigação e instaurar processo com base em delações. Dos 18 inquéritos contra Renan, quatro já foram arquivados”, do CRIMINALISTA LUÍS HENRIQUE MACHADO, advogado de Renan Calheiros (PMDB-AL).

COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE E LEONEL ROCHA 

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