Governo paulista: ‘in Lewandowski we trust’

Governo paulista: ‘in Lewandowski we trust’

Coluna do Estadão

12 de janeiro de 2021 | 05h00

Foto: André Dusek/Estadão

O pedido da Anvisa de esclarecimentos sobre a Coronavac não é lido como medida isolada por integrantes do governo paulista. A avaliação, por ora, é de que a agência questionará filigranas para garantir que o registro da vacina bancada por João Doria não saia antes da vacina de Oxford, de Jair Bolsonaro. A esperança do Estado, porém, se resume em uma expressão: “in Ricardo Lewandowski we trust”, ou seja, o relator das ações relativas ao tema no Supremo tem tido atuação de enfrentamento ao negacionismo e, portanto, favorável à ciência.

Stop. Para o governo paulista, a ação protocolada pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) no STF, pedindo que a Anvisa dê o registro à Coronavac em 72 horas, foi a mais importante até o momento.

Prova. Deverá pôr em xeque a atuação da agência porque, mesmo que não conceda o registro, terá de dar uma justificativa tão detalhada capaz de escancarar qualquer eventual tentativa de politização do tema.

Cenário. Os laboratórios brasileiros esperam um aumento significativo da busca por testes de covid-19 neste mês em todo o País.

Cenário 2. De acordo com o presidente da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial, Carlos Gouvêa, ainda não é possível quantificar a demanda, mas ele afirma que o setor já sentiu uma maior procura e a tendência é de que ela aumente nos próximos dias.

Efeito praia. Representantes de laboratórios afirmam que a maior demanda pelos testes tem como justificativa as viagens de fim de ano e as férias de verão.

Vamos testar? Para Gouvêa, o Ministério da Saúde deve estimular uma política de incentivo para que os Estados realizem uma testagem em massa. Para ele, o governo pode tornar disponíveis os testes guardados desde o ano passado, como mostrou o Estadão.

Grampo? Hamilton Mourão disse, em entrevista à Rádio Gaúcha, que Eduardo Pazuello quer gravar as reuniões do Ministério da Saúde com a farmacêutica Pfizer. Mourão e o ministro parecem não ter entendido quem precisa mais de quem nessa negociação.

SINAIS PARTICULARES.
Eduardo Pazuello, ministro da Saúde

Ilustração: Kleber Sales

Tá… O anúncio da saída da Ford do País cristalizou o entendimento entre políticos de que Paulo Guedes não vem fazendo o dever de casa de salvaguardar e impulsionar a economia.

…lento. Governadores, ex-ministros e líderes do Congresso debitaram parte deste novo baque na conta do ministro: falta dar a confiança aos investidores de que o ambiente econômico no País vai melhorar.

Muita coisa… Até no governo, o entendimento é de que o superministro da Economia não está conseguindo tomar pé da coisa: acompanhar andamento de propostas, dar seguimento a elas dentro da pasta…

…no prato. Por isso, uma ala de assessores palacianos defende que, numa eventual reforma ministerial, a Economia seja dividida novamente entre Planejamento e Fazenda.

Ah, jura?! A nota divulgada pela Economia cita as reformas pelas quais a pasta não se empenha: “Necessidade de rápida implementação das medidas de melhoria do ambiente de negócios e de avançar nas reformas estruturais”.

CLICK. O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, e representantes de centrais se reuniram com Arthur Lira (ao centro). Ele prometeu manter diálogo permanente com o setor.

Coluna do Estadão

PRONTO, FALEI! 

Foto: Denise Andrade

Marcelo Rubens Paiva, escritor: “Ruy Castro fez uma referência ao gesto de Getúlio ‘passar para a história’ e ser perdoado por ela ao se matar. Mas quem não consegue interpretar um texto vê uma agressão transloucada”.

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. 

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