Governo patina em ação publicitária sobre a Amazônia

Governo patina em ação publicitária sobre a Amazônia

Coluna do Estadão

05 de setembro de 2020 | 05h00

Foto: Tiago Queiroz/Estadão

O governo não está conseguindo reagir às campanhas, principalmente na Europa, que o apontam como vilão no enredo de preservação da Amazônia. A estratégia pensada pelo ministro Fábio Faria (Comunicações), de anúncios na programação das emissoras europeias com a defesa da gestão Bolsonaro, como a Coluna mostrou em julho, ainda não andou. A falta de recursos da pasta neste ano tem inviabilizado a ação. A expectativa é de uma campanha internacional em 2021, quando o orçamento para publicidade oficial deve ser quadruplicado.

Vão livre. Enquanto o governo patina, seus adversários deitam e rolam. Nesta semana, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil lançou vídeo, narrado em inglês, com a pergunta: “De que lado você está: Amazônia ou Bolsonaro?”.

Pressão. O mote da campanha é atrelar a destruição da floresta ao financiamento estrangeiro e, assim, constranger empresas internacionais a mudar suas relações com o Brasil.

Vai que… Para driblar a falta de recursos, o governo busca o apoio de agentes privados. Interlocutores do Conselho da Amazônia entraram em contato com empresários para dar publicidade à “agenda positiva” do meio ambiente lá fora.

…cola. Mas, para alguns deles, de nada adianta fazer campanha no exterior se ainda não há números positivos para se mostrar. Então, por ora, tudo segue no campo das ideias.

No horizonte. Diplomatas e servidores envolvidos com as articulações pela retomada do Fundo Amazônia projetam que ele só deve ser reativado, de fato, no ano que vem.

Papel. Além da questão política, há também trâmites burocráticos que foram interrompidos e agora precisam ser retomados, como a análise de contratos.

Efeito Orloff? Com Sérgio Moro sem a caneta na mão, o ministro do Supremo Edson Fachin está tomando o lugar do ex-juiz no topo da lista de desafetos entre grupos de advogados e dos apoiadores de Lula. “Fachin está agindo de forma tão parcial quanto o ex-juiz”, diz Marco Aurélio de Carvalho, do Prerrogativas.

SINAIS PARTICULARES.
Edson Fachin e Sérgio Moro, ministro do STF e ex-ministro da Justiça, respectivamente

Ilustração: Kleber Sales

De leve. A peculiaridade da nova briga entre Paulo Guedes e Rodrigo Maia é que, desta vez, ela causou apenas uma marolinha no mundo político. Parlamentares alinhados ao governo e palacianos estavam com os panos quentes, mas a turma do deixa disso nem sequer precisou entrar em campo desta vez.

Em paz. A fala de Rodrigo Maia, diferentemente de outros momentos, não foi incendiária para o governo. Pelo contrário, o presidente da Câmara demonstrou ter um bom diálogo com o Planalto, e foi só elogios ao ministro Luiz Eduardo Ramos. Na prática, o rompimento ajuda a isolar Guedes.

CLICK. Paulo Skaf, presidente da Fiesp, afirmou em suas redes que a missão brasileira de ajuda humanitária ao Líbano vai enviar mais 60 toneladas de medicamentos e alimentos a Beirute.

Reprodução/Instagram

Vida… O neobolsonarista Roberto Jefferson entrou na parada para proibir a advogada Ana Paula Lupino, de seu PTB, de ser a vice do petista Luiz Marinho, candidato a prefeito de São Bernardo do Campo.

…dura. A propósito, Marinho passou um perrengue, conforme vídeo que circula em redes sociais, ao ser abordado, em campanha, por homem que o critica e diz que o PT está na Lava Jato: “Bolsonaro vai tirar vocês todos daí.”

PRONTO, FALEI! 

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Arthur Virgílio Neto, prefeito de Manaus (AM): “Bolsonaro declarou que só aceitaria ajuda para a Amazônia de países democráticos como o dele. Assim, sugiro Coreia do Norte, Cuba, Venezuela…”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. 

Coluna do Estadão:
Twitter: @colunadoestadao
Facebook: facebook.com/colunadoestadao
Instagram: @colunadoestadao

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: