Governo faz pente-fino em saúde indígena

Governo faz pente-fino em saúde indígena

Coluna do Estadão

07 de janeiro de 2019 | 05h00

Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Foto: Rodrigo Nunes/Ministério da Saúde

Como um de seus primeiros atos, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, determinou uma auditoria nos recursos transferidos para a saúde indígena. Hoje, só oito instituições concentram os convênios de cooperação para o atendimento dessas populações e, em 2018, receberam juntas R$ 611,9 milhões. Segundo o ministro, a prestação de contas é confusa, porque algumas parceiras ainda terceirizam os serviços e passam parte do dinheiro para outras ONG’s. A depender do que encontrar, Mandetta não descarta acionar a Polícia Federal.

Só? As oito empresas foram selecionadas por meio de chamada pública. Só elas atenderam aos critérios estabelecidos no edital, que tem vigência até o final de 2019 e prevê repasse anual de R$ 800 milhões.

Cumprindo ordens. Ainda durante o período da transição, o presidente Jair Bolsonaro determinou que os ministros de seu governo fizessem um pente-fino nas contas de suas pastas.

Fogo… Após desmentir Bolsonaro na semana passada em uma entrevista sobre o IOF, o secretário da Receita, Marcos Cintra, entrou num processo de fritura.

…alto. No Palácio, há quem lembre que ele também colocou o presidente numa saia justa ao falar de um imposto único como a CPMF, ainda na transição.

Fogo baixo. Já na equipe econômica, a ordem é botar água na fervura. Integrantes do time de Paulo Guedes afirmam que Cintra não daria um passo sem ordem e anuência do chefe.

Profecia. Quando da polêmica da defesa do imposto único, Bolsonaro já havia ameaçado demiti-lo. “A decisão que eu tomei: quem criticar qualquer um de nós publicamente, eu corto a cabeça”, disse na ocasião.

SINAIS PARTICULARES — A SÉRIE

OS HOMENS DE GUEDES

Marcos Cintra, secretário da Receita; por Kleber Sales

Disciplinado. Rodrigo Maia tem como meta ligar para ao menos 18 deputados por dia para pedir voto para a presidência da Câmara.

Online. Uma das propostas de Maia é, depois de uma eleição marcada pela interação virtual, apoiar os parlamentares na produção de conteúdo para as redes sociais. Ele inicia hoje pelo Pará e Maranhão uma turnê de viagens de campanha.

Mais tempo. Levantamento feito pela Coluna aponta que 68 pedidos de vista travam a conclusão de julgamentos já iniciados no Supremo. Há casos que aguardam há mais de 9 anos.

Indefinição. Um deles é a ação do PSB que questiona a restrição de doação de sangue por homens homossexuais, interrompida em 2017 por Gilmar Mendes, que procurou especialistas. A tendência do ministro é se manifestar contra.

Regra para quê? O regimento do STF prevê a devolução em duas semanas.

CLICK. O ministro Ricardo Salles postou no Twitter o resultado do pente-fino na sua pasta. Foi curtido pelo chefe ao criticar gasto de R$ 30 milhões para aluguel de carros no Ibama.

Ordem na bagunça. O ministro Edson Fachin propôs ao Tribunal Superior Eleitoral a consolidação das normas eleitorais para atacar a dispersão das regras, alvo de reclamação por quem participa do pleito.

O impacto. A ideia foi bem recebida entre ministros e advogados eleitorais. Especialistas afirmam que a medida pode ter impacto no dinheiro público que financia as campanhas. Alguns candidatos aplicam mal por não entenderem as normas de forma clara.

PRONTO, FALEI!

Carlos Marun, ex-ministro de Temer Foto: Dida Sampaio/Estadão

“Se a minha indicação para o Conselho de Itaipu desagradou a alguns, tenho certeza de que a minha atuação vai agradar a todos os que amam o Brasil”, DO EX-MINISTRO DA SECRETARIA DE GOVERNO, CARLOS MARUN.

COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE E JULIANA BRAGA. COLABORARAM RAFAEL MORAES MOURA E AMANDA PUPO

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