Governo espera por mudanças silenciosas na Petrobras sob novo mando

Governo espera por mudanças silenciosas na Petrobras sob novo mando

Mariana Carneiro, Julia Lindner e Gustavo Côrtes

22 de junho de 2022 | 05h01

Auxiliares de Jair Bolsonaro têm a expectativa de que Caio Paes de Andrade assuma a presidência da Petrobras até o fim desta semana, dando início a uma estratégia silenciosa de controle dos preços dos combustíveis, o que ajudaria o presidente na sua campanha à reeleição. Embora líderes do Congresso tenham pedido uma Medida Provisória para mudar a Lei das Estatais imediatamente, na esperança de que apressasse o passo nessa direção, há resistência de técnicos do Ministério da Economia e da Casa Civil. O temor é de serem tachados de intervencionistas. O objetivo é fazer mudanças na política de preços sem alarde e sem prejudicar o discurso do presidente e de seus aliados de pôr a culpa na estatal.

Presidente Jair Bolsonaro. FOTO: EVARISTO SA/AFP

CHAPÉU. Líderes do Centrão querem que a Petrobras assuma os custos do vale-gás e do voucher caminhoneiro. Nesse caso, não haveria a limitação do teto de gastos e, na visão dos políticos, serviria para a Petrobras melhorar a sua imagem.

QUEIMA. O discurso do ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, dizendo não ser possível mexer nos preços da Petrobras, foi um balde de água fria para deputados dispostos a quebrar a “independência excessiva” da estatal. Ontem, alguns diziam que isso indicava que o governo dá o assunto como “página virada” e que não viam razão para a demissão do antecessor Bento Albuquerque.

BLOCO. Governistas estão satisfeitos em compartilhar o confronto contra a Petrobras com o Congresso, graças à iniciativa de Arthur Lira. Assim, Bolsonaro não aparece sozinho contra acionistas privados.

CANTO. Em conversas com investidores, Alexandre Padilha (PT-SP) tem usado a crise com a Petrobras para exemplificar que Bolsonaro age de forma imprevisível e gera insegurança e promete que, com Lula, será diferente.

PRONTO, FALEI. José Medeiros, deputado federal (PL-MT)

“Na Petrobras, quando dá lucro a gente se lasca. Quando não dá lucro, a gente se lasca mais ainda”, disse, sobre possível intervenção do governo na estatal.

CLICK. Romeu Zema, governador de Minas (Novo)

Reprodução

Ganhou camisa do Cruzeiro das mãos do ex-jogador Ronaldo, novo dono do clube e antigo apoiador do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG).

Sinais Particulares, por Kleber Sales. Arthur Lira, presidente da Câmara (PP-AL)

 

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