Governo ainda não vê um novo ‘junho de 2013

Governo ainda não vê um novo ‘junho de 2013

Coluna do Estadão

06 de junho de 2020 | 05h00

Foto: Taba Benedicto / Estadão

Apesar de Jair Bolsonaro ter subido o tom em relação às manifestações contrárias a ele, nos bastidores do governo gente importante ainda não vê motivo para pânico: a avaliação é de que, por ora, os protestos não devem evoluir para um “novo junho de 2013”. O risco de violência nos atos e a pandemia da covid-19 são fatores de desagregação da oposição, acreditam. Os serviços de inteligência “oficial” monitoram as movimentações. À Coluna, uma autoridade da Segurança disse que o clima é tenso entre policiais militares, alinhados com Bolsonaro.

Todo mundo. O Executivo também está vigiando grupos pró-governo, em especial o chamado “300 do Brasil”, liderado pela ativista Sara Winter. O intuito, no entanto, é não fazer alarde a ponto de “levantar muito a bola” da ativista.

Narrativa. Ministro importante do governo enxerga mais ou menos assim a disputa nas ruas: manifestantes contrários ao presidente “tapam o rosto”, “usam preto” e “têm tatuagens”; nos atos pró-Bolsonaro, a turma “veste verde e amarelo” e “há crianças”.

Fora ele… O presidente do PSB, Carlos Siqueira, pediu calma em relação aos protestos contra Bolsonaro por causa da pandemia. Mas admite que, certamente, haverá gente na rua.

…em casa. “E, obviamente, se houver repressão policial, seremos solidários. Espero que quem vá fique de olho e tenha um esquema de segurança próprio para evitar excessos. Pode até haver, quem sabe, infiltrados (para provocar violência)”, afirmou à Coluna.

CLICK. Davi Alcolumbre acompanhou Eduardo Pazuello (Saúde) na inauguração do setor do Hospital Universitário de Macapá (AP) para o tratamento da covid-19.

Reprodução/Instagram

Relax. Mesmo diplomatas críticos à política externa bolsonarista acham que a crítica de Trump ao Brasil deve ser interpretada sob a ótica das eleições dos EUA. O presidente americano busca exemplos externos ruins de combate à pandemia para diluir a pressão sobre seu governo.

Relax 2. O provável embaixador do Brasil em Washington, Nestor Forster, foi nessa linha, em conversa com a Coluna: “(Trump) Estava mais querendo defender os Estados Unidos do que atacar quaisquer países”, disse, lembrando que ele também citou a Suécia como mau exemplo.

Perigo. A carta dos deputados democratas da Comissão de Orçamento da Câmara dos EUA, essa sim, deve ser motivo de alerta. O texto prega oposição a acordos comerciais com “o Brasil do presidente Bolsonaro”.

Aula. Está nos livros: no dia 9 de novembro de 1889, dom Pedro II foi ao Baile da Ilha Fiscal. Já no salão, escorregou e caiu. Levantou-se e disse: “O monarca tropeçou, mas a monarquia não caiu”. Seis dias depois, porém, o regime desabou.

Bastão. Na primeira reunião de secretariado do governo paulista com a presença de Mauro Ricardo (gestão orçamentária), o vice Rodrigo Garcia expressou alívio: “Deixo de ser o mãos de tesoura do corte de gastos do governo”. Ricardo absorveu áreas das secretarias de Garcia e de Henrique Meirelles.

Nudes. As fotos de Vampeta enviadas a Douglas Garcia (PSL-SP) devem motivar outras ações do tipo, os “vampetaços”, nas redes sociais. O deputado pediu “denúncias” de quem são os líderes dos protestos contra Bolsonaro. Recebeu ensaios do ex-volante do Corinthians peladão.

SINAIS PARTICULARES.
Vampeta, ex-jogador de futebol

Ilustração: Kleber Sales

PRONTO, FALEI! 

Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Márcio Jerry, deputado federal (PCdoB-MA): “Bolsonaro consegue o feito de ter seu nome na lama duas vezes em um único dia. Ao cair, literalmente, e quando seu ídolo o usa como antiexemplo.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA.

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