Governistas enxergam nas ruas e no Senado efeito prático da carta

Governistas enxergam nas ruas e no Senado efeito prático da carta

Coluna do Estadão

13 de setembro de 2021 | 02h00

Taba Benedicto/Estadão

No curto prazo, ao menos, a carta Bolsonaro/Temer cumpriu objetivos, avaliam governistas: 1) acalmou Rodrigo Pacheco (DEM-MG); 2) ajudou a esvaziar os protestos contra o Jair Bolsonaro do domingo, 12. O primeiro item foi muito comemorado em privado porque o presidente do Senado é visto hoje como a tábua de salvação para André Mendonça, que precisa do aval da Casa para chegar ao STF. Se o engenhoso plano montado por Davi Alcolumbre (DEM-AP) para barrar Mendonça atrair o apoio de Pacheco, será o fim da linha para o ex-AGU.

Estratégia. Segundo senadores, o plano de Alcolumbre seria inviabilizar Mendonça, impondo uma derrota a Bolsonaro e forçando a indicação de Augusto Aras para a vaga no STF.

Estratégia 2. Nesse cenário, Aras chegaria ao Supremo bancado sobretudo pelo Senado, com menos compromissos assumidos com Bolsonaro do que André Mendonça. Mas falta Pacheco nessa arquitetura toda…

Água… A semana passada terminou com a oposição no Senado comemorando a decisão do PSDB de se declarar em campo contrário ao do presidente. Pacheco esfriou os ânimos.

…fria. Pacheco disse no domingo, 12, guardar “muita expectativa e confiança de que ela (a carta) se perpetue como uma tônica entre as relações dos Poderes a partir de agora”. A declaração foi lida como sinal de boa vontade para com as demandas de Bolsonaro.

Pólos… Bolsonaristas e petistas se uniram nas redes sociais para apontar o suposto fracasso dos protestos contra o presidente, que tiveram pouca gente nas ruas, mas pesos-pesados da política nos carros de som em São Paulo, como havia muito tempo não se observava em um ato.

…unidos. Ficaram evidentes duas lições: 1) o PT, por ora, não aceita alternativa que não seja a união em torno de sua liderança e da campanha de Lula; 2) o ato teve o tamanho do MBL e foi um retrato das dificuldades da terceira via.

Repercussões. “O PT,Lula e seguidores estão vibrando por se julgarem vitoriosos na luta contra a manifestação de hoje no País. Além da vergonha de comemorarem junto com fascistas bolsonaristas, pestitas estão se isolando politicamente dos democratas inclusive de uma esquerda realmente antifascista”, disse Roberto Freire (Cidadania).

Repercussões 2.“O MBL nunca teve legitimidade para se opor a um governo que ajudou a eleger. Com um discurso de ódio, o MBL contribuiu para a divisão do Brasil e dos brasileiros. Não há espaço para qualquer mobilização sem a participação de movimentos sociais e do campo progressista de um modo geral”, disse Marco Aurélio de Carvalho, advogado e membro do PT.

Chega. Alegoria usada por um ministro para resumir a semana passada: Bolsonaro gosta de futebol e sabe que Luiz Fux deu um cartão amarelo para ele dizendo “na próxima, você está fora”, como faz o juiz em campo para dizer que a paciência acabou.

SINAIS PARTICULARES, Luiz Fux, presidente do STF

Só… Mendonça Filho está atento à fusão entre seu DEM e o PSL. O ex-ministro quer o controle do diretório de Pernambuco, onde é adversário do PSB de do PT.

…um. Luciano Bivar, o presidente nacional do PSL que pretende se manter no comando do novo partido, também é de Pernambuco.

CLICK. A PM do DF, a mesma que na terça-feira, 7, assistiu aos bolsonaristas romperem grade de segurança, revistou ontem jovens negros em ato contra Bolsonaro.

No jogo. O ministro da Cidadania, João Roma (Republicanos), está se dedicando mais ao jogo político, após ter obtido mais tempo livre com o envio do Auxílio Brasil ao Congresso.

Xácomigo. Apontado como pré-candidato ao governo da Bahia, Roma tem cumprido o papel de advogado de Bolsonaro, sempre pronto para rebater críticas feitas pelo PT local e apontar defeitos do adversário.

PRONTO, FALEI!
Simone Tebet, senadora (MDB-MS)

“O perfume da democracia dissipou o cheiro de autoritarismo que ainda pairava no ar da Av. Paulista. Hoje vimos um BR plural que aceita conviver na divergência para defender a democracia sob ataque. Amanhã não haverá arrego. Continuaremos empunhando a bandeira da democracia.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MATHEUS LARA.
COLABORARAM PEDRO VENCESLAU E PEDRO VILAS BOAS.

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