Governistas enxergam ação de Renan em pedido de vista no TCU

Devolução de R$ 100 bilhões do BNDES para o Tesouro Nacional é considerada estratégica pela equipe econômica.

Marcelo de Moraes

26 Outubro 2016 | 17h02

Setores do governo enxergaram a influência do presidente do Senado, Renan Calheiros, no pedido de vista feito há pouco pelo ministro Vital do Rego, do Tribunal de Contas da União (TCU), durante a discussão do processo que analisa a devolução pelo BNDES de R$ 100 bilhões para o Tesouro Nacional. Vital do Rego era senador do PMDB antes de entrar no TCU e é ligado politicamente a Renan Calheiros.

O pedido de vista, obviamente, não impede que o julgamento seja aprovado, uma vez que o relatório feito pelo ministro Raimundo Carreiro libera a devolução do dinheiro. Mas atrasa o andamento do assunto. Tecnicamente, um pedido de vista é quando um ministro pede mais tempo para estudar um determinado assunto.

Em maio, a equipe econômica anunciou a medida, considerada estratégica para baixar o endividamento público. Agora, terá de aguardar mais.  Como existem dois feriados durante as próximas semanas, é possível que o TCU só retome o assunto em novembro.

Irritado com as ações do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, e com decisões tomadas pelo Poder Judiciário, que considera como intromissões indevidas nos assuntos do Poder Legislativo, Renan estaria mandando seus primeiros recados ao Palácio do Planalto e demonstrando sua força política. O senador nega qualquer relação com o pedido de vistas de Vital do Rego. Oficialmente, o ministro justificou seu pedido porque estava ausente e precisava se inteiras sobre o assunto.

 

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