Governadores usam crise na Ucrânia para defender fundo equalizador do ICMS

Governadores usam crise na Ucrânia para defender fundo equalizador do ICMS

Camila Turtelli e Matheus Lara

26 de fevereiro de 2022 | 05h00

Governadores de olho no efeito da guerra na alta do preço dos combustíveis Foto: Daniel Teixeira/ Estadão

Governadores querem aproveitar o calor das discussões sobre os ataques da Rússia à Ucrânia para insistir na criação de um fundo de equalização dos preços dos combustíveis no Brasil, como alternativa à proposta de um valor fixo para o ICMS. A estratégia será condenar o conflito e ao mesmo tempo tratá-lo como momento oportuno para repensar soluções para os picos da gasolina e do diesel no País. O impacto da crise europeia na cotação do petróleo vai ser objeto de análises nos encontros entre secretários de Fazenda dos Estados com parlamentares. Com o adiamento do debate sobre o tema no Senado, eles querem retomar a discussão com a Petrobras, resistente à ideia do fundo.

DISCURSO. “A Petrobras é um Robin Hood invertido, tirando dos mais pobres para dar aos mais ricos”, disse o coordenador do Fórum de Governadores, Wellington Dias (PT-PI) à Coluna. “Basta ver o tamanho do lucro da Petrobras para perceber que há um verdadeiro aspirador de dinheiro para lucratividade fácil”.

NA BRONCA. “Se tivéssemos um governo com alguma eficiência, já teríamos um programa de contingência para ser colocado em prática, mas não há sensibilidade quanto ao impacto deste conflito no cotidiano dos brasileiros, sobretudo os mais pobres”, avaliou o governador João Doria (PSDB-SP).

TEM MAIS. Estados também já se preocupam com o impacto dos conflitos para além dos combustíveis. “Vai aumentar muito os alimentos também”, avaliou Helder Barbalho (MDB-PA), citando o trigo.

CADA UMA. Do ex-ministro das Relações Exteriores no governo Lula, o embaixador Celso Amorim: “A reação do governo de Jair Bolsonaro à invasão da Ucrânia é esquizofrênica. Cada um faz o que quer. Bolsonaro se solidariza com a Rússia, o vice quer guerra”.

MAS TÁ BOM. Amorim considera “razoável” a nota do Itamaraty que pediu o fim imediato das “hostilidades” e a retomada de negociações para uma solução diplomática. Há quem tenha achado muito branda para a gravidade da situação.

PRIVADO. Depois de se aposentar da carreira pública, o ex-presidente do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF-3), Fábio Prieto de Souza, passa a integrar o Velloza Advogados como sócio de Consultoria e Contencioso Estratégicos. Ele dará ênfase às áreas de arbitragem, direito público e direito empresarial penal.

CLICK. Marcelo Queiroga, ministro da Saúde

Ministro fez em um trem os ajustes finais de seu discurso na ONU em que defendeu a “liberdade” para que cada um decida sobre se vacinar ou não.

HIERARQUIA. Do general Augusto Heleno (GSI), perguntado sobre a invasão da Ucrânia (antes mesmo de o presidente Bolsonaro desautorizar o vice Hamilton Mourão): “Esse assunto é exclusivo do presidente da República”.

FANTASIA DE CARNAVAL. Viralizou na semana uma compilação de vídeos do ministro da Economia, Paulo Guedes, falando sobre a economia brasileira “estar decolando”. Uma subida que ele gostaria de pilotar.

SINAIS PARTICULARES (por Kleber Sales). Paulo Guedes, ministro da Economia

PRONTO, FALEI! Kim Kataguiri, deputado federal (União-SP)

“Taleban pedindo que Rússia e Ucrânia resolvam seus problemas de forma pacífica é tipo o PT reclamando da corrupção do governo Bolsonaro”

COLABORARAM ELIANE CANTANHÊDE E PEDRO VENCESLAU

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