Gestores negam ter favorecido companhia

"A empresa é dela, é ela quem cuida", diz o diretor da Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP) Nivaldo Rocha Leite, exonerado nesta terça-feira após a reportagem do Estado procurar o órgão

Coluna do Estadão

19 de outubro de 2016 | 05h11

O diretor da Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP) Nivaldo Rocha Leite, exonerado nesta terça-feira, 18, disse desconhecer quais serviços a empresa da mulher, Rosemeire Hoelz Rocha Leite, prestou à Aceco TI. “A empresa dela, é ela quem cuida”, justificou.

Questionado se vê impropriedade na situação de uma contratada da Sefaz fazer pagamentos à empresa de sua esposa, ele não quis responder.

O diretor disse que não foi responsável pela contratação da Aceco na Secretaria da Fazenda e que essa tarefa coube ao Departamento de Suprimentos e Infraestrutura.

Ele explicou que seu setor é responsável por “prospectar” tecnologia no mercado, a partir de demandas das diversas áreas da Sefaz. Alegou que não foi gestor de contrato com a Aceco, mas apenas juntou documento a processo de contratação da empresa. “Sou um consolidador de documentos”, disse.

O diretor não quis comentar o conteúdo de e-mails trocados com funcionários da Aceco. “Não vou ficar entrando nesses detalhes.”

O Estado não localizou Rosemeire Hoelz. Leite informou que preferia não colocar a esposa em contato com a reportagem. Afirmou apenas que não é sócio da empresa da mulher, que “está fechada há mais de um ano’.

A Sefaz informou em nota que, além de exonerado do cargo de diretor, Leite também ficará afastado das funções de seu cargo de origem (oficial administrativo) enquanto uma “investigação preliminar” “apurará a procedência” das suspeitas contra ele. “Se confirmadas”, explicou a pasta, “o servidor será demitido a bem do serviço público após processo disciplinar administrativo, sem prejuízo de eventuais processos na esfera criminal”.

A Sefaz explicou ainda que a Aceco foi contratada “com dispensa de licitação por ser a única do País a fornecer serviços de sala-cofre para data-center, o que é atestado por certificação da Associação Brasileira de Normas Técnicas”.

O ex-presidente da Jucesp Humberto Luiz Dias informou na segunda-feira, por telefone, que o contrato do órgão com a Aceco não passou por ele. Em seguida, pediu para interromper a ligação e disse que retornaria depois para mais explicações. Ele não ligou de volta e nem atendeu mais a telefonemas.

Logo após o contato com o ex-presidente da Jucesp, a assessoria de imprensa da Aceco telefonou para o Estado e informou que um “fornecedor” havia lhe avisado que uma reportagem sobre a empresa estava sendo feita.

Em nota, a Aceco alegou que sua atual administração “não foi informada a respeito dos fatos mencionados pela reportagem”. “Aparentemente, trata-se de informações extraídas de um trabalho tendencioso encomendado pelos antigos controladores. A empresa está comprometida em prestar as informações e os esclarecimentos necessários às autoridades competentes”, acrescentou.

A Jucesp não se pronunciou.

O ex-secretário de Desenvolvimento Econômico Rodrigo Garcia, atual titular da Secretaria de Habitação, afirmou em nota não ter relação pessoal e política com Humberto Luiz Dias. Ele explicou que, quando assumiu o Desenvolvimento, Dias já era vogal da Jucesp, indicado pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP). “Eu nomeei outra pessoa para a Presidência da Junta, o advogado Armando Rovai, que pediu afastamento por questões pessoais alguns meses depois. Humberto foi efetivado na Presidência por ser o então vice-presidente e por ter sido assessor técnico da Junta em 2005 e vogal titular indicado pela ACSP desde 2011. Ou seja, tinha experiência na Junta e nada que o desabonasse. Ele não ocupou cargos em gestões comandadas por mim nem antes e nem depois dessa passagem”, acrescentou.