Gestão de superpasta da Justiça é impraticável, avaliam ex-ministros

Gestão de superpasta da Justiça é impraticável, avaliam ex-ministros

Coluna do Estadão

02 Novembro 2018 | 05h30

 

José Eduardo Cardozo (Foto: Marcello Casal – Ag. Brasil)

A criação de um superministério da Justiça pode ser um tiro no pé para o juiz Sérgio Moro, avaliam ex-ministros. A pasta já responde por temas como anistia, drogas, direito do consumidor, arquivo nacional, classificação indicativa de filmes, política de estrangeiros, presídios, índios… Agora pode incorporar o Coaf e a Controladoria da União. “Da forma como estava já era impossível, ficará fora de propósito. Eu passava 70% do meu tempo cuidando de índio”, conta José Eduardo Cardozo, ministro mais longevo da Justiça no período democrático.

#ficaadica. Quem conhece a pasta recomenda a Moro: ou ele arruma cinco secretários executivos ou vai passar o dia inteiro assinando papel. Não de políticas públicas, mas de férias de servidores, licença…

SINAIS PARTICULARES: Sérgio Moro, futuro ministro da Justiça; por Kleber Sales

Velhos amigos. Militares próximos a Bolsonaro minimizaram as alfinetadas do presidente eleito no seu vice, general Mourão. Lembram que os dois serviram juntos e têm liberdade para, inclusive, trocarem declarações mais duras. Bolsonaro disse ontem não ter “proximidade” com o vice.

De castigo. A irritação se acumula desde a campanha. O presidente eleito acha que Mourão o coloca em saias-justas. “O jeito é deixá-lo quieto. Ele não muda”, disse a interlocutores. Bolsonaro também escanteou o deputado Fernando Francischini (PSL-PR).

Grava tudo. Flávio e Carlos Bolsonaro, filhos do presidente eleito, estimulam em vídeos no YouTube pais e alunos a denunciar professores que estejam “impondo sua preferência político-partidária nas salas de aula ou falando de sexo para crianças”.

Lição de casa. Os dois políticos pedem que as denúncias sejam documentadas em “fotos e vídeos” e encaminhadas a eles por meio de um formulário com o nome da escola e do professor para que sejam remetidas ao MPE.

Fez escola. Na quinta, um juiz de Florianópolis determinou a retirada das redes sociais de um vídeo no qual uma colega de partido de Bolsonaro, a deputada estadual eleita Ana Caroline Campagnolo (PSL), ofereceu um número de celular para alunos denunciarem professores.

Tô fora. Michel Temer já avisou que não vai se meter na tramitação das mudanças no Estatuto do Desarmamento, agenda de Bolsonaro. Segundo relatam aliados, ele acha que esse é um problema para o Congresso Nacional resolver.

Mãos dadas. Em seu esforço para criar uma frente de oposição, Ciro Gomes quer manter diálogo com integrantes do PSDB. A ideia é propor que atuem de forma coordenada em temas específicos no Congresso, mesmo sem compor um bloco parlamentar único, isolando o PT.

CLICK. Futuro ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni (PSL) é vizinho de porta do petista Vicente Cândido na Câmara dos Deputados. Os dois se provocam com cartazes nas portas dos gabinetes que ficam frente a frente.

Foto: Andreza Matais

Fora do casulo. Cid Gomes e Randolfe Rodrigues costuram um jantar entre Marina Silva e Ciro Gomes. A ideia é que a criadora da Rede se mantenha em evidência e não repita o que fez nas eleições anteriores, reaparecendo somente no próximo pleito.

Afinando o discurso. O tucano João Doria, governador eleito de São Paulo, almoça hoje com Ibaneis Rocha, eleito para governar o DF. No sábado, se encontra com Wilson Witzel (PSL), eleito governador do Rio.

Na agenda. O rabino Henry Sobel se reúne hoje com Bolsonaro. O convite partiu do presidente eleito.

PRONTO, FALEI!

Torquato Jardim. Foto: André Dusek/Estadão

“Da retidão do caráter e notável competência do juiz sabemos todos. São traços que permitem antecipar uma grande gestão”, sobre Moro no Ministério da Justiça”, DO MINISTRO DA JUSTIÇA, TORQUATO JARDIM, sobre seu futuro sucessor Sérgio Moro. 

COM REPORTAGEM DE NAIRA TRINDADE E JULIANA BRAGA

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