“Garçom do Lula” é alvo de busca e apreensão na Operação Custo Brasil

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Fabio Serapião, Andreza Matais e Fábio Fabrini

23 de junho de 2016 | 18h48

Entre os alvos da Operação Custo Brasil, braço da Lava Jato deflagrada nesta quinta-feira, está o empresário Carlos Roberto Cortegôso. A casa e a empresa dele foram alvo de busca e apreensão. Cortegôso ficou conhecido como “garçom do Lula” porque trabalhou num restaurante em São Bernardo do Campo frequentado pelo ex-presidente quando ele atuava como sindicalista.

Ao detalhar aos investigadores como se deram os pagamentos de propina pela Consist, o ex-vereador do PT, Alexandre Romano, contou que 1/3 da propina ficava com o ex-ministro Paulo Bernardo e os outros 2/3 era repassados via pessoas jurídicas, entre elas a CRLS de Cortegoso, ao tesoureiro do PT, João Vaccari

Diz Romano sobre os 2/3 da propina direcionado à João Vaccari e ao Partido dos Trabalhadores: “Num primeiro momento era CRLS, representada pelo Cortegoso, que realizava os pagamentos emitindo notas contra a Consist. Num segundo momento, era a empresa Politec, representada pelo Helio Oliveira, que realizava o pagamento. E, por fim, num terceiro momento era a Jamp, representada pelo Miltom Pascowitch.”
Quem é Cortegôso. No fim dos anos 1990, Cortegôso mantou uma pequena empresa de produção de camisetas e material de campanha. Com a chegada do PT ao Palácio do Planalto em 2002, o negócio cresceu rapidamente e ele virou o principal fornecedor do partido em campanhas.

Ao mesmo tempo, começaram a ser identificadas irregularidades em seus negócios. Operador do mensalão, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza drenou dinheiro do esquema para uma empresa de Cortegôso.

O ex-garçom, então, fundou uma outra empresa sem o seu nome, a Focal Confecção Comunicação. Em 2014, a empresa faturou R$ 25 milhões na campanha reeleitoral da presidente Dilma Rousseff. Só ficou atrás do marqueteiro João Santana.

Na prestação de contas, foi identificado que a empresa tinha como sócio um motorista que morava num bairro de periferia. Isso motivou a abertura de uma investigação sobre as contas da campanha de Dilma pelo Tribunal Superior Eleitoral, ação que pode resultar na cassação do mandato da dela.

 

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