Foragido da PF dá entrevista a rádio do Rio Grande do Sul

Luiza Pollo

23 de junho de 2016 | 12h02

Tido como foragido pela Polícia Federal, o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira deu uma entrevista por telefone à Rádio Gaúcha. Fontes da PF confirmaram à Coluna do Estadão que há um mandado de prisão preventiva expedido contra ele no âmbito da Operação Custo Brasil.

Ouça aqui a entrevista de Ferreira.

A PF informou que ele, quando assumiu o cargo de tesoureiro do PT, insistiu para que o Ministério continuasse contratando a empresa Consist, envolvida em esquema de corrupção que beneficiava o partido.

Enquanto a polícia procurava Paulo Ferreira, ele dizia à Rádio Gaúcha que considerava “absolutamente natural” seu nome aparecer nas investigações. “Fiz o trabalho que o secretário de finanças de qualquer partido faz: vai até as empresas e solicita doação em época eleitoral ou em época de dificuldade financeira da legenda”, afirmou Ferreira.

“Estou tranquilo em relação a isso e acho natural que em algum momento surja meu nome, como surgiu na Operação Lava Jato alguns empresários dizendo que tinham ligação comigo. Isso faz parte da política. Estou tranquilo e completamente à disposição”, disse o ex-tesoureiro à rádio.

Paulo Ferreira disse ter apenas cumprido sua missão. “Não tenho nenhum receio de que haja, em algum momento, alguma interpelação judicial porque fui secretário de finanças do PT, fiz o trabalho que tinha que ser feito, trabalho institucional de arrecadação de recursos para o partido”, afirmou.

O entrevistado foragido disse ainda que nunca vinculou doações a contratos com o governo. “Nunca, neste período todo, tive nenhuma presença minha em nenhum órgão do governo, não entrei em ministério, não entrei em estatal, não conheço nenhum desses gestores que fizeram as delações, da Petrobrás ou de qualquer outro setor da administração pública”, afirmou o ex-tesoureiro.

Sem saber que ajudaria a PF, Ferreira encerrou a entrevista informando que estava em Brasília. “Saí para uma reunião, mas devo retornar para a Câmara”, disse o ex-tesoureiro do PT.

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