Fora da rua hoje, PT pode estar em ato ‘horizontal’ com a centro-direita

Fora da rua hoje, PT pode estar em ato ‘horizontal’ com a centro-direita

Coluna do Estadão

12 de setembro de 2021 | 02h00

Líderes da sociedade civil articulam manifestação futura que seja capaz de unir PT e partidos da centro-direita no mesmo metro quadrado das ruas e avenidas do País. A ideia é de uma organização horizontal e coletiva (sem lideranças políticas como a do MBL, por exemplo), com ares de frente ampla e Diretas Já. Setores da Igreja Católica e da advocacia levarão adiante a empreitada. O PT não deverá ter representantes nos caminhões de som dos atos deste domingo, 12, contra Bolsonaro. Para os petistas, a sigla MBL não desce nem com sal de fruta.

Brecha. Os atos mostram que poucos acreditam no “recuo” de Jair Bolsonaro. Afinal, fez parte da estratégia do Planalto alardear que a carta do presidente estendendo a mão a Alexandre Moraes foi elaborada só por Michel Temer.

Brecha 2. Se fosse do próprio punho de Bolsonaro, seria sincera e, consequentemente, ganharia mais peso. Mas, com Temer no papel de ghost writer, fica mais fácil dizer aos bolsonaristas que tudo não passou de uma manobra tática.

Paz. Michel Temer, por óbvio, também gostou. O papel de “pacificador” o mantém vivo no jogo pré-eleitoral rumo a 2022.

SINAIS PARTICULARES. Michel Temer, ex-presidente da República

Lembrança doída. Sobre os atos deste domingo, liderados por MBL e Vem pra Rua, petistas afirmam que não enxergam sentido em aderir a um protesto que, em sua origem, os excluía. A pauta original era “nem Bolsonaro nem Lula”.

Ironia. Mas pesa e muito o fato de MBL e Vem Pra Rua terem sido algozes de Dilma Rousseff. O PT, ora, vejam só, acha que esses movimentos devem uma “autocrítica” sobre o impeachment da petista.

Cálculo. Sem dar o braço a torcer, o PT faz a aposta de assistir de camarote ao experimento deste domingo. Internamente, leva-se em conta com uma pitada de apreensão o risco de ficar de fora da foto de uma manifestação grande.

Vermelho. O partido de Lula impõe condições “inegociáveis” para estar junto de opositores nas ruas.

Pauta. Uma delas é de que a organização seja feita por entidades consagradas da sociedade civil, como a OAB e a CNBB, por exemplo. As outras são a “horizontalidade” da construção e o foco único na defesa da democracia contra o Jair Bolsonaro.

Análise. “Diante da união que será vista neste domingo, o fiel da balança será a ausência do PT, ainda a força com maior capilaridade da esquerda. O PT compreende que Bolsonaro é o adversário preferido de Lula, mas tem de levar em conta que as crises colocam em risco o processo eleitoral”, diz o cientista político Creomar de Souza.


CLICK.
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (à dir.) tomou a segunda dose da vacina contra a covid-19 junto com a filha Isabela, imunizada com a primeira.

Ocupando… Um dia após a radicalização bolsonarista no 7 de Setembro, o vice Hamilton Mourão levou uma comitiva de chefes diplomáticos de dez países e da União Europeia para uma excursão pela Amazônia, no Pará, de Hélder Barbalho (MDB).

…espaços. O governador apresentou, em jantar, seu plano de combate ao desmatamento e preservação ambiental. Mourão também discursou. Pelo menos três embaixadores publicaram posts positivos em redes sociais sobre o Pará, sem citar o governo Bolsonaro.


PRONTO, FALEI!
José Luiz Penna, presidente nacional do PV

“Apesar de reconhecer os esforços pacificadores do ex-presidente Temer, não dá para acreditar que Bolsonaro manterá o compromisso. O PV estará nas ruas neste domingo, juntando forças para aprovar o impeachment.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MATHEUS LARA

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