Financiamento empresarial volta nos bastidores, mas resistência é grande

Financiamento empresarial volta nos bastidores, mas resistência é grande

Coluna do Estadão

21 de julho de 2021 | 05h00

Foto: Câmara dos Deputados

O estresse em torno do Fundo Eleitoral de quase R$ 6 bilhões está reanimando nos bastidores as discussões sobre uma possível volta do financiamento empresarial das campanhas. Parte da classe política não quer mais passar pelo desgaste já contratado a cada dois anos: qualquer centavo a mais no custo das campanhas gera reação da opinião pública. A ideia entre dirigentes seria um retorno do financiamento empresarial com regras duras e claras. Quem defende o modelo lembra que ele foi extinto com o País mergulhado na Lava Jato.

Tá… Ou seja, na onda revisionista do legado da operação, acham que o tema tem pertinência.

…na hora? O ministro Gilmar Mendes, do STF, defendeu a tese no Twitter. Segundo ele, “deveríamos fortalecer a fiscalização dos gastos” em vez de proibir a doação empresarial.

No laço. A volta do financiamento empresarial tem de ser feita via PEC, até um ano antes da eleição. A Câmara se prepara para votar uma reforma eleitoral na primeira semana de agosto.

Contrários. Dirigentes do Centrão, contudo, rechaçam a possibilidade: ainda é cedo e a sociedade não estaria pronta para o debate.

Contrários 2. Marcos Pereira (SP), presidente do Republicanos, disse ser contra. Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou ser “impossível”.

Indo na… Nas eleições de 2018, apenas 0,1% dos eleitores aptos a votar fizeram doações a partidos e candidatos, segundo Michel Bertoni, membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep).

…contramão. Por que isso é um problema para 2022? “As pessoas físicas não têm o hábito de doar recursos para as campanhas eleitorais no Brasil”, afirma o advogado eleitoral.

Faz sentido. “O aumento dos valores do Fundo Eleitoral poderia afastar ainda mais as doações privadas, dada a repercussão negativa do tema”, completa Bertoni.

CLICK. O advogado Leonardo Sica (à dir.), pré-candidato a presidente da OAB-SP, entregou a Baleia Rossi (PMDB-SP), relator da PEC da reforma tributária, proposta contraria à tributação dos dividendos das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, como a advocacia, dentre outras.

Coluna do Estadao

Cola… Diante das ameaças do vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), de instaurar o impeachment se assumir a presidência da Casa interinamente, o titular Arthur Lira (PP-AL) tem brincado com interlocutores que, a partir de agora, não fará nenhuma viagem oficial.

…na cadeira. Lira faz analogia com algo que ouve em casa, de sua mulher: ela costuma lembrar que pode até dar corda a ele, mas quem puxa de volta é ela. A reação de Ramos desagradou a governistas: acharam que ele, assim como Bolsonaro, gosta de ser pedra, mas não de ser a vidraça.

SINAIS PARTICULARES.
Marcelo Ramos, vice-presidente da Câmara (PL-AM)

Kleber Sales

Eu… A interlocutores, Ramos tem usado uma expressão consagrada por Cristiano Ronaldo para explicar o motivo de ter requerido os pedidos de impeachment: “Estou aqui, o presidente sempre se lembrará disso”, teria dito.

…estou aqui. Ronaldo comemora gols dizendo: “Eu estou aqui!”

PRONTO, FALEI!

Carla Zambelli. FOTO: LUIS MACEDO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Carla Zambelli, deputada federal (PSL-SP): “Houve comoção popular muito grande (contra o fundão). É função do presidente ouvir o povo que o elegeu. Mas, de uma forma ou de outra, fica exposto.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG E MARIANNA HOLANDA. COLABOROU PEDRO VENCESLAU.

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