Fala de Kim sobre nazismo causa mal-estar no Podemos e ala aponta risco para Moro

Fala de Kim sobre nazismo causa mal-estar no Podemos e ala aponta risco para Moro

Camila Turtelli e Matheus Lara

11 de fevereiro de 2022 | 05h00

Sérgio Moro se aliou ao MBL para as eleições 2022; Kim (dir.) tem aparecido ao lado de Moro em atos da pré-campanha das redes sociais. Foto: Reprodução/Canal Mamãe Falei

A repercussão das falas do deputado federal Kim Kataguiri (SP) sobre nazismo causou mal-estar entre lideranças da sigla, na qual o parlamentar do MBL está de chegada. A direção do partido garante que Kim não será barrado, mas se preocupa em como o assunto respinga na pré-candidatura de Sérgio Moro à Presidência da República. Ao mesmo tempo, tenta conter os ânimos de filiados que aconselham repensar tanto a chegada do parlamentar quanto a estratégia de tentar fingir que a polêmica não recai também sobre a sigla. Opositores do deputado federal o acusam de questionar a criminalização do nazismo no país europeu. Ele alega, porém, ter se expressado mal e pediu desculpas.

AVALIAÇÃO. “É uma infelicidade ter de assistir a um debate dessa natureza”, disse à Coluna o senador Alvaro Dias (Podemos-PR). “Faz mal à democracia. Mas esse tipo de pensamento é algo intransferível. Penso que cada um tem um DNA e responderá por ele”.

ALIADOS. “Não existe a possibilidade de ficarmos em um partido sem o Kim”, disse o vereador paulistano Rubinho Nunes (Podemos), também do MBL. “O Podemos nos garantiu a filiação. Kim jamais defendeu o nazismo, mas sim meios para combatê-lo.”

ALIADOS 2. Em live ao lado de Kim e outros integrantes do MBL na noite de quinta, 10, Renan Santos, líder nacional do movimento, afirmou que o deputado reclamou de como o caso tem respingado nas pré-candidaturas de seus aliados. “Kim chegou aqui (no estúdio) e disse que se sentia atrapalhando Arthur (do Val, pré-candidato a governador de São Paulo) e Moro”. “É a pior coisa”, confirmou Kim.

REVISÃO. Para o partido, Kim foi “infeliz”, mas a situação foi contornada. “Kim se posicionou absolutamente intolerante em relação ao nazismo, inclusive, por zelo e respeito, fez um pedido público de desculpas pela maneira infeliz com que abordou o tema”, diz nota.

IDEIA. A advogada Monica Rosenberg, coordenadora do movimento Livres, que é judia, comentou sobre os episódios envolvendo o ex-apresentador do Flow Podcast, Monark, e o ex-comentarista da Jovem Pan Adrilles Jorge e seus comentários sobre nazismo. “Qualquer relativização das atrocidades do regime nazista é uma ameaça à nossa democracia. Seria plenamente cabível uma reparação civil coletiva, promovida pelos representantes da comunidade judaica”.

CLICK. Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo

Político esteve em São Paulo e mostrou a seus seguidores os bastidores de seu treino do dia. No fone de ouvido, contou ele, sucessos da cantora Anitta.

REBELIÃO. Após a renúncia da Executiva do PTB, o partido de Roberto Jefferson, atualmente em pé de guerra, vive suspensa sobre escolha de seu novo comando. Havia uma reunião agendada para hoje, mas o grupo da atual presidente da legenda Graciela Nienov pediu uma liminar para impedir o evento.

QUEM SOU EU? Depois de cogitar medidas de desoneração de impostos para impulsionar a reindustrialização, Paulo Guedes ouviu do Fundo Verde que a Economia sob seu comando lembra Guido Mantega ao recorrer a “um populismo eleitoreiro barato”.

SINAIS PARTICULARES (por Kleber Sales). Paulo Guedes, ministro da Economia; e Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda

EU, NÃO. O juiz Walter Godoy informou que não integra a lista publicada pelo STF de candidatos a vaga no Conselho Nacional do Ministério Público e que não cogitou se candidatar.

PRONTO, FALEI! Fábio Trad, deputado federal (PSD-MS)

“Os mais pobres não poderão ser defendidos com eficiência se a Defensoria perder o poder de requisição. Espero que o STF, hoje, não atrase o relógio da cidadania”

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