Extremismo nos EUA e sinal de alerta no Brasil

Extremismo nos EUA e sinal de alerta no Brasil

Coluna do Estadão

07 de janeiro de 2021 | 05h00

Donald Trump e Jair Bolsonaro, em Mar-a-Lago, na Flórida Foto: Beatriz Bulla

O ataque de  extremistas norte-americanos, incitado por Donald Trump, fez muita gente importante nos meios político e jurídico do Brasil verbalizar publicamente uma defesa intransigente da democracia. O subtexto, porém, foi além do triste episódio ocorrido nos EUA e mirou o futuro do nosso país: desde o final do ano passado vem crescendo o temor de algo semelhante ocorrer por aqui caso Jair Bolsonaro seja derrotado nas urnas em 2022. Em quase todas as manifestações foi possível identificar referências indiretas ao cenário brasileiro.

Risco? Em privado, um embaixador lembra que Bolsonaro está se afastando cada vez mais do centro político e mantendo aposta nos radicais: pode ficar isolado num mundo particular como Donald Trump.

Vixe! A apoiadores ontem, Bolsonaro voltou a dizer que as eleições americanas foram fraudadas, assim como a de 2018 no Brasil.

Dados. Vale lembrar, claro, que o atual governo está armando a população, como mostrou a Coluna no começo de setembro passado, segundo dados da PF.

Alerta. “Milícias presencias ou digitais, discursos de ódio e agressões às instituições corroem a democracia e destroem a esperança em um futuro melhor e mais igualitário”, afirmou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, responsável por inquéritos que têm bolsonaristas como alvo.

Lição. “Da mesma forma que os vencedores têm que saber vencer, os derrotados têm que compreender a derrota e aceitá-la dentro de um sistema democrático”, afirmou o senador Nelson Trad (PSD-MT), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Mais um. O governador da Bahia, Rui Costa (PT), vê um “alerta”: “A tentativa de golpe na maior democracia do planeta nos mostra aonde pode chegar a política do ódio, do radicalismo e das fake news”.

Tomara. O ex-chanceler Aloysio Nunes Ferreira adota postura mais otimista. “Acho que não há chances de termos algo parecido, sobretudo porque temos um voto eletrônico que não deixa dúvidas quanto ao resultado”, disse.

Manter… O Planalto tem adotado estratégia de não queimar pontes com adversários que apoiam a candidatura de Baleia Rossi (MDB-SP) a presidente da Câmara dos Deputados.

…os canais… A leitura da articulação política, ao menos por ora, é que: se deixar de honrar compromissos com o grupo e ele sair vencedor, aliado à oposição, o cenário poderá ficar bem ruim para o governo na Câmara dos Deputados.

…abertos. A ordem no Planalto, portanto, é de honrar os compromissos já firmados com deputados da base de Baleia e alinhados a Rodrigo Maia. Cargos devem ser mantidos. A decisão, claro, desagrada ao time de Arthur Lira (PP-AL).

CLICK. No lançamento da campanha do deputado Baleia Rossi (MDB-SP) à presidência da Câmara, parlamentares usavam uma máscara com a “marca” do candidato.

Coluna do Estadão

Larga d’eu… Com Eduardo Pazuello monopolizando as atenções, Paulo Guedes andava meio esquecido neste início de ano, mas só até Jair Bolsonaro afirmar que o Brasil está quebrado.

…sô. De férias, o ministro da Economia voltou ao topo do noticiário. Lembrou o personagem Joselino Barbacena (A Escolinha do Professor Raimundo): “Já me descobriram aqui”.

SINAIS PARTICULARES.
Paulo Guedes, ministro da Economia

Ilustração: Kleber Sales

 

PRONTO, FALEI! 

Luiz Felipe d’Ávila, fundador do CLP. Foto: Werther Santana/Estadão

Luiz Felipe D’Ávila, fundador do Centro de Liderança Pública (CLP): “O Brasil não está quebrado, nem uma maravilha. Para quebrar, está a um passo, é só o governo não se empenhar na aprovação das reformas prioritárias.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG, MARIANA HAUBERT E MARIANNA HOLANDA. 

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