Ex-ministro da Justiça pede investigação sobre suposta ação ilegal de procuradores da Lava Jato

Ex-ministro da Justiça pede investigação sobre suposta ação ilegal de procuradores da Lava Jato

Coluna do Estadão

13 de fevereiro de 2021 | 10h44

Foto: Fábio Motta/Estadão

O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo reagiu neste sábado,13, à indicação de que houve uma suposta ação ilegal de procuradores da Lava Jato para obter provas no exterior, como revelou a Coluna. Ele pede a investigação da atuação dos procuradores para que, “no futuro, ninguém imagine que está acima da lei e da Constituição”. 

O ex-presidente do PT e deputado federal Rui Falcão (SP) também acionou o STF para pedir que o material apreendido pela Operação Spoofing seja compartilhado com órgãos de fiscalização e controle. “O direito à privacidade não pode servir de pretexto para que agentes públicos desvirtuem sua função, atuando para violar a soberania nacional e conspirar contra o Estado de Direito”, disse.

Em nota, o ex-ministro do governo Dilma Rousseff afirmou ver com “espanto e indignação” que “membros da Operação Lava-Jato, de modo sistemático e contínuo, dialogavam e agiam, premeditada e conscientemente, para obter ilegalmente provas no exterior que pudessem servir às suas convicções, vindo, mais tarde, a ‘esquentá-las’ perante os Tribunais Superiores do país”. 

De acordo com trechos revelados da troca de mensagens, há fortes evidências indicando contato direto da operação com autoridades estrangeiras, ou seja, uma atividade clandestina. 

Trecho ao qual a Coluna teve acesso mostra o que seria uma conversa, de 2015, com a participação de Deltan Dallagnol na qual ele afirma estar recebendo “informações de Mônaco diretamente por e-mail”. Cardozo estava no cargo nesta época. A Lava Jato e o procurador negam irregularidades nos contatos internacionais. 

“Independentemente da discussão jurídica sobre a validade legal ou não desses diálogos agora publicamente revelados, os fatos da realidade falam por si e exigem a imediata defesa de um violado Estado Democrático de Direito”, escreveu Cardozo. 

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