‘Eu vou voltar e vou matar todos vocês’, disse atirador, segundo relato de um dos presentes à festa de petista assassinado no Paraná

‘Eu vou voltar e vou matar todos vocês’, disse atirador, segundo relato de um dos presentes à festa de petista assassinado no Paraná

Gustavo Côrtes

10 de julho de 2022 | 14h30

Quinze minutos antes de invadir a festa e matar a tiros o guarda municipal Marcelo Aloizio de Arruda, em Foz do Iguaçu, o agente penitenciário José da Rocha Guaranho passou de carro em frente à comemoração e ameaçou convidados.

Foto: Reprodução

“Nós estávamos na festa, que era temática do PT. Por volta de 23h apareceu um cara que não era convidado, que ninguém conhece e começou a gritar dentro do carro: ‘é Bolsonaro, seus desgraçados! É o mito!’”, contou à Coluna Andre Alliana, amigo de Marcelo.

“Marcelo foi até lá, achando que era um convidado, e nisso o cara tirou uma arma para fora da janela e apontou para o Marcelo e para todo mundo. Aí a gente viu que o negócio era sério”.

José não estava sozinho no carro. Ele estava com uma mulher e uma criança no banco de trás e foi graças aos gritos dela que a discussão não prosseguiu. Mas o agente penitenciário não cedeu:

“Ele andou com o carro um pouco e gritou lá de dentro: ‘Eu vou voltar e vou matar todos vocês, seus desgraçados!”, descreve Alliana.

Nem todo mundo levou a sério a ameaça, diz Alliana, mas Marcelo buscou a arma que usa para trabalhar e decidiu colocar na cintura. Aos convidados, ele disse que previa se defender caso o bolsonarista retornasse, como prometeu.

José voltou à festa 15 minutos depois. E quando chegou, Alliana diz que Marcelo apontou a arma para o invasor e gritou: “para, polícia!”. O agente penitenciário também sacou a arma e, após segundos de tensão, ele atirou na perna de Marcelo, que caiu.

“O cara chegou então em cima do Marcelo e deu outro tiro para executar o Marcelo. Mas o Marcelo conseguiu se virar e deu cinco tiros no cara. Se não fosse isso, ele tinha feito uma chacina lá no meio da festa”, afirma Alliana.

De acordo com o amigo petista, ambos foram levados com vida para o hospital, mas não resistiram. 

Marcelo teve uma parada cardíaca a caminho do hospital, outra após chegar ao local e uma terceira, fatal, durante a cirurgia a que foi submetido. 

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