Etchegoyen diz que decisão do Exército sobre Pazuello é ‘indefensável’

Etchegoyen diz que decisão do Exército sobre Pazuello é ‘indefensável’

Coluna do Estadão

04 de junho de 2021 | 05h00

BRA11.BRASILIA(BRASIL),15/07/2016. EFE/Fernando Bizerra Jr.

Ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), o general Sérgio Etchegoyen chamou de “indefensável” a decisão do Exército de não punir Eduardo Pazuello: “Sou um soldado disciplinado, fui assim minha vida inteira. Não vou criticar uma decisão do comandante do Exército, até porque a julgo indefensável”, disse o general da reserva à Coluna. Etchegoyen é conhecido por ser discreto e respeitado. Nos bastidores, militares de alta patente se disseram incrédulos, chocados, e decepcionados: Jair Bolsonaro conseguiu um Exército só “seu”.

A cautela. Segundo generais da ativa e da reserva, a decisão corrói, mas não desestabiliza institucionalmente o Exército. O silêncio que se impõe agora é para pensar que tipo de reação pode ocorrer, sem desestabilizar o País. Porque, uma vez que isso ocorra, não há controle do processo.

Como fica? Além de criar um precedente perigoso, a decisão do comandante Paulo Sérgio Nogueira pode quebrar a posição monolítica do Exército. Antes, uma diretriz era dada e todos a obedeciam. E agora?

O que… Reservadamente, ministros do STF lamentaram a decisão. Lembraram que uma reputação é difícil de ser construída e poucos erros podem derrubá-la.

… que há? O Exército, infelizmente, estaria seguindo esse rumo, deixando-se dominar pelo presidente.

Outro lado. O entorno de Pazuello comemorou a decisão e afirmou que ela já era esperada. A defesa foi “técnica”, disse um interlocutor do ex-ministro da Saúde, e o general conhece como ninguém o regimento.

Timeline. Pazuello ficou sabendo da decisão na noite de quarta-feira, 2.

Superman. O ex-ministro deve voltar mais forte para a CPI: continua na ativa (só vai para a reserva quando acabar a comissão) e recebeu esse importante respaldo do Exército.

Olhe aí. Com base no depoimento repleto de contradições dado à CPI da Covid pela “capitã cloroquina” Mayra Pinheiro, a deputada Natália Bonavides (PT-RN) acrescentou denúncia à ação de sua autoria na PGR para investigar o TrateCov.

Respira… Senadores do G7 (independentes e oposição) na CPI da Covid deram, num primeiro momento, um passo atrás com a decisão do Exército.

…inspira… Sempre críticos e combativos, não quiseram entrar nessa seara para não esticar a corda e, com isso, na visão do grupo, fazer o jogo de Bolsonaro.

…e não pira. Além disso, segundo a leitura dos senadores, por mais que alguns militares não curtam Bolsonaro, ele gostam muito menos Lula, o líder nas pesquisas sobre a eleição de 2022.

CLICK. O deputado Eduardo Bismarck (PDT-CE) postou foto da campanha de 2018 em homenagem ao aniversário de 53 anos do governador Camilo Santana (PT-CE).

Reprodução/Instagram

SINAIS PARTICULARES.

Renan Calheiros, senador (MDB-AL)

Kleber Sales

Bateu… Relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL) anda sendo bombardeado por mensagens e sofreu até ameaças via WhatsApp. Teve até quem dissesse em uma delas que “encomendaria sua alma ao diabo”.

…levou. Macaco velho, Renan nem dá bola ou presta queixa das ameaças. Mas não deixa barato e retruca: “Não vou ficar batendo boca com robôzinho”.

Mudança. O deputado Acácio Favacho (PROS-AP) será o relator da MP 1.042, que reestrutura cargos comissionados do Executivo.

PRONTO, FALEI!

Marco Aurélio de Carvalho, advogado e coordenador do grupo Prerrogativas: “O tenentismo venceu! No governo de Jair Bolsonaro, a hierarquia militar se transformou em mera obra de ficção. Um grande risco para a democracia.”

COM MARIANNA HOLANDA. COLABOROU ELIANE CANTANHÊDE.

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