Estudo diz que bolsonaristas desiludidos votariam de novo no presidente “por falta de alternativa”

Estudo diz que bolsonaristas desiludidos votariam de novo no presidente “por falta de alternativa”

Marianna Holanda

05 de junho de 2020 | 17h50

Foto: Gabriela Biló / Estadão

Um estudo etnográfico sobre bolsonaristas realizado pela Fundação Friedrich Ebert mostra que, apesar do crescente desgaste político do presidente da República, até seus apoiadores considerados desiludidos votariam nele em 2022 “por falta de alternativa”.

As pesquisadoras Esther Solano (Unifesp) e Camila Rocha (Cebrap) selecionaram para a entrevista três grupos de eleitores de Jair Bolsonaro em 2018: fiéis, apoiadores críticos ou desiludidos, e arrependidos. 

Dentre os bolsonaristas arrependidos, alguns chegam a citar Sérgio Moro como alternativa para a próxima eleição, caso ele seja candidato, outros dizem que anulariam o voto. Apenas duas eleitoras arrependidas disseram que votariam até no PT para não reeleger Bolsonaro.

“Aqueles que (…) votaram em Bolsonaro em 2018 por ‘esperança’ ou ‘mudança’, ao serem questionados sobre 2022, disseram que voltariam a votar em Bolsonaro, mas, dessa vez, decepcionados e frustrados, ‘por falta de alternativa’”, diz trecho. 

A pesquisa foi realizada entre 9 e 18 de maio e ouviu 27 apoiadores do presidente, 12 homens e 15 mulheres de SP. Eram das classes C e D, maior parte do setor de serviços e comércio. 

O maior ponto de desgaste de Bolsonaro entre os três grupos foi seu comportamento visto como desrespeitoso diante da pandemia, seja por declarações ou por participar em manifestações. Há um grande medo com a economia também. 

Outro destaque citado pela maioria foi a percepção de que os filhos de Bolsonaro são fator de instabilidade. Segundo o estudo, frases como “não boto a mão no fogo por eles” e “aí tem coisa” são frequentes. “Dessa forma, o afastamento dos filhos do governo do pai é desejado por todos”.

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