Entrevista: Autor da ‘Emenda Lula’ diz que medida é contraponto a investigações

Andreza Matais

15 de julho de 2017 | 12h28

Foto: Dida Sampaio/Estadão

 

O relator da reforma política na Câmara, deputado Vicente Cândido (PT-SP), diz que propôs ampliar para até oito meses a proibição para que candidatos sejam presos antes das eleições porque o momento político exige uma reação do Congresso. “Tem muita exploração da política por parte de promotores, juizes, delegados, então é para evitar que, no ano que vem, em especial, haja exploração dessa natureza”, disse à Coluna do Estadão, que revelou a manobra. Ele admite que a medida pode beneficiar o candidato do seu partido, Luiz Inácio Lula da Silva, condenado a 9 anos e 6 meses de prisão na Lava Jato. A seguir a entrevista:

Coluna do Estadão – O relatório do senhor proíbe a prisão de políticos até oito meses antes da eleição. É isso?

Vicente Cândido – Isso.

Coluna do Estadão – Por que o senhor aumenta o prazo?

Vicente Cândido – Porque estamos num período de judicialização da política. Tem muita exploração da política por parte de promotores, juizes, delegados, então é para evitar que, no ano que vem, em especial, haja exploração dessa natureza.

Coluna do Estadão – Essa medida pode acabar beneficiando o candidato do seu partido, o ex-presidente Lula, que foi condenado…

Vicente Cândido – Lula também, como qualquer outro.

O senhor incluiu isso no texto pensando no Lula?

Vicente Cândido – Estou pensando nesse momento conjuntural do Brasil. Vou usar o peso e o contrapeso para não ter excesso em nenhum dos lados. Essa regra já existe, não estou criando nenhuma novidade, estou apenas ampliando o prazo.

Coluna do Estadão – Os seus colegas dizem o que?

Vicente Cândido – De todos os pontos que estão no relatório não tem nenhuma resistência. Tem observações.

Coluna do Estadão – Sobre esse ponto especifico?

Vicente Cândido – Há concordância.

Coluna do Estadão – As pessoas estão cientes de que o senhor apresentou esse ponto?

Vicente Cândido – Falei com vários lideres.

Coluna do Estadão – Nao é muito tempo para um salvo conduto?

Vicente Cândido – Em tempos normais sim, mas nesse momento em que nós estamos vivendo acho que é uma necessidade. Há uma vulnerabilidade da política, acho que falta ação da política, sobretudo no Legislativo que poderia ter um papel mais coordenador do equilíbrio.

Coluna do Estadão – De que forma?

Vicente Cândido – Cabe ao legislador perceber situações como esta e tomar atitudes. Espero que para as próximas eleições, num prazo curto a gente entre num período de normalidade e talvez armas como essa não vão fazer sentido, agora, não só eu, mas várias pessoas que eu ouvi acham que faz sentido nesse período usa-las.

 

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