Em novo mandato, Covas aposta nos secretários ‘tarefeiros’

Em novo mandato, Covas aposta nos secretários ‘tarefeiros’

Coluna do Estadão

02 de janeiro de 2021 | 06h22

Livre dos compromissos assumidos com João Doria, de quem era vice até 2018, Bruno Covas (PSDB) ampliou sua “cota pessoal” no primeiro escalão da Prefeitura. O perfil “tarefeiro” do secretariado é a aposta de Covas para ter controle total das ações na capital e criar uma marca da gestão. A principal mudança ocorreu na Educação. Apesar de na campanha ter exaltado o bom desempenho da pasta, o prefeito preferiu trocar Bruno Caetano, quadro técnico do PSDB elogiado por Doria, pelo seu amigo próximo e de longa data Fernando Padula.

Foto: Alex Silva / Estadão

Em alta. Quem também está prestigiado é o advogado César Azevedo. De extrema confiança do prefeito, ele assumiu a área de urbanismo sob muita desconfiança de arquitetos e urbanistas. Azevedo já comandava o sempre enrolado setor de licenciamentos.

Históricos. O coração da articulação política foi entregue a Ricardo Tripoli (PSDB), historicamente ligado à família Covas. Edson Aparecido, outro tucano de quatro costados , permanece na Saúde para comandar o processo de vacinação.

Brother. Também fazem parte da “cota pessoal” de Bruno Covas: Alê Youssef (Cultura), Alexandre Modonesi (Subprefeituras e Orlando Faria (Habitação).

Nosso… Padula, citado nos grampos da chamada “Máfia da Merenda”, assume a Educação após anúncio recente da Prefeitura de que, pela primeira vez, conseguiu “zerar” a fila de crianças em busca de vagas nas creches.

…homem. Nos grampos da Operação Alba Branca, que investigou desvios na área da educação do governo estadual paulista, Padula é citado por alguns alvos, segundo a Polícia Civil, como “nosso homem”. Ele nega as acusações.

Retrospectiva… Marco Aurélio Mello mobilizou o debate no País em outubro ao beneficiar com uma decisão o traficante André do Rap. A reação foi grande contra o ministro.

SINAIS PARTICULARES
Marco Aurélio Mello, ministro do STF

Ilustração: Kleber Sales

…em ilustrações. A percepção na Corte foi de que Luiz Fux e alguns de seus pares deixaram Marco Aurélio, o decano do STF após a aposentadoria de Celso de Mello, sozinho na “chuva”.

Vou… O passeio de Jair Bolsonaro entre banhistas na Praia Grande no primeiro dia deste 2021 foi uma ação de marketing político para fincar (ainda mais) a posição do presidente contra o isolamento social durante a pandemia, mesmo com as 195 mil mortes.

CLICK. Bolsonaro provocou, de novo, aglomeração e foi chamado de “mito” por banhistas em Praia Grande. Também foram entoados gritos contra João Doria.

Foto: Reprodução / Twitter

…pra galera. A cidade do litoral paulista foi escolhida pelo presidente e seu estafe justamente por ter contestado a decisão do governo estadual que colocou todo o Estado na fase vermelha do plano de combate à covid-19, mais dura em termos de restrições à circulação.

Provocação oficial. “Presidente nada de braçadas até o povo da Praia Grande. Governador abandona os paulistanos trancados em casa”, escreveu no Twitter Fabio Wajngarten, responsável pela Secretaria de Comunicação do governo federal.

Chapa branca, O ministro Fábio Faria (Comunicações) também usou a mesma rede social para exaltar o seu chefe.

Troco. João Doria reagiu. “No momento em que o Brasil precisa de paz e de atitudes para combater a pandemia e salvar vidas, o presidente Jair Bolsonaro nos ataca mais uma vez, covardemente”, escreveu o governador também no Twitter.

PRONTO, FALEI!

Foto: Governo de SP

João Doria, governador de São Paulo (PSDB)

“Bolsonaro gosta mesmo é do cheiro da morte, do cheiro da pólvora e do cheiro do dinheiro das rachadinhas. Presidente: trabalhe mais e fale menos.”

COM REPORTAGEM DE ALBERTO BOMBIG

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