Em nota, associação de servidores diz que críticas à Abin são levianas

Coluna do Estadão

01 Junho 2018 | 17h29

A Associação dos Servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Asbin) divulgou nota para rebater críticas de que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não teria antecipado para o governo o alcance da greve dos caminhoneiros. A Coluna antecipou nesta sexta-feira que a entidade avaliava se manifestar a respeito.

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“A crítica leviana, preconceituosa e ou distorcida às eventuais falhas da atividade não propicia a compreensão e a educação da sociedade civil e dos cidadãos sobre a difícil tarefa de prover informações precisas em tempo de paz ou convulsionados com respeitos as regras legais necessárias para uma sociedade pacifica e democrática”, diz a nota.

Leia a íntegra:

Recentes reportagens de diversos veículos de comunicação do país, que avaliam com julgamentos ligeiros e preconceituosos a assessoria da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) à Presidência da República, antes e durante o movimento dos caminhoneiros, merecem uma ponderação equilibrada quanto aos limites institucionais e a função da atividade de inteligência como mister de estado.

A ideia de que a ABIN é como o famoso panóptico (o olho que a tudo vê) do filósofo Jeremy Benthan, é uma distorção comum entre os jornalistas não especializados na cobertura da atividade de Inteligência. Como instituição de Estado, a Agência, criada pela Lei n 9.883 de 1999, deve atuar mediante um robusto Sistema Brasileiro de Inteligência (SISBIN), para avançar em proatividade – avaliando cenários e ponderando tendências. A progressiva legitimação e a necessária constitucionalização da atividade são indispensáveis para alcançar níveis de excelência na produção desse conhecimento especializado.

Ao mesmo tempo, esse processo requer a busca de dados nos termos estrito do Estado Democrático de Direito, em respeito, sobretudo, aos direitos e garantias fundamentais da carta magna. É necessário e bom que assim seja, pois a Associação dos Servidores da Agência Brasileira de Inteligência (ASBIN), como um órgão de representação dos servidores considera que o regime democrático é o melhor ambiente para produzir, difundir e resguardar os assuntos sigilosos.

A crítica leviana, preconceituosa e ou distorcida às eventuais falhas da atividade não propicia a compreensão e a educação da sociedade civil e dos cidadãos sobre a difícil tarefa de prover informações precisas em tempo de paz ou convulsionados com respeitos as regras legais necessárias para uma sociedade pacifica e democrática.

Não é por acaso que sempre vai reverberar na história a famosa frase do então presidente Kennedy, quando, numa formatura dos oficiais da CIA falou didática e profeticamente: “os seus acertos serão desconhecidos, os seus erros, trombeteados”.

Por fim, a ASBIN reitera a sua confiança nos profissionais da Agência, cujo compromisso, tradicionalmente zeloso e qualificado, tem sido demonstrado ao longo de quase duas décadas.