Em mensagem a militares, Ramos nega nomeação para o Comando do Exército

Em mensagem a militares, Ramos nega nomeação para o Comando do Exército

Marianna Holanda

28 de outubro de 2020 | 21h27

Luiz Eduardo Ramos. FOTO: MARCELLO CASAL JR./AG. BRASIL

O ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, enviou mensagem a colegas de farda, nesta quarta-feira, 28, negando a possibilidade de deixar o Planalto para se tornar comandante do Exército, no lugar de Edson Pujol.

No texto, que está circulando nos grupos de WhatsApp de militares e foi obtido pela Coluna, o general da reserva chamou as notícias de sua “eventual nomeação” de “totalmente infundadas e, certamente, baseadas em inverdades de caráter puramente especulativo e sensacionalista”.

O ministro da articulação política disse ainda aos colegas da caserna que foi para a reserva, no meio do ano, justamente para evitar “ilações desta natureza” e que o Exército “deveria permanecer preservado desses tipos de divagações caluniosas”.

Nos últimos dias, circulou em Brasília a história de que ele poderia deixar a articulação política e voltar para a caserna.

Como a Coluna noticiou na quinta-feira, 28, não é proibido que um general da reserva assuma o comando, mas é incomum e rompe com a tradição (algo muito caro aos militares). Em julho deste ano, após pressão dos colegas de farda, Ramos entrou para a reserva.

“A minha transferência do serviço ativo do Exército para a reserva remunerada, a pedido, no dia 15 de julho de 2020, teve por principal objetivo desencorajar e evitar ilações dessa natureza. Reafirmo a minha sólida disposição em permanecer à frente da Secretaria de Governo da Presidência da República e lamento que tais notícias possam ter sido veiculadas”, disse na mensagem.

A possibilidade de voltar para o Exército gerou desconforto entre os militares. Primeiramente, porque precisam sempre repetir que os generais que estão no governo estão como civis. Um movimento deste tipo, de volta às Forças Armadas, iria na contramão.

Além disso, Ramos ocupa o cargo mais político do governo, responsável pela articulação com o Congresso. É sob sua gestão que ocorreu mudança no eixo Bolsonaro, aproximando-o do Centrão.

Na mensagem, o general afirmou ainda “orgulho e satisfação de integrar o time de ministros do Governo Bolsonaro, constituído de membros íntegros e comprometidos com o Brasil”.

Na semana passada, Ramos passou por intensa fritura da ala ideológica do governo. Ele foi chamado no Twitter pelo ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) de “maria fofoca”.

O embate acabou, ao menos publicamente, com um pedido de desculpas de Salles, após intermediação do presidente.

Confira abaixo a íntegra da nota:

Venho por meio da presente mensagem esclarecer que as matérias publicadas no dia de ontem (27/10), em alguns veículos de comunicação, relativas à minha eventual nomeação como Comandante do Exército Brasileiro são totalmente infundadas e, certamente, baseadas em inverdades de caráter puramente especulativo e sensacionalista.

A minha transferência do serviço ativo do Exército para a reserva remunerada, a pedido, no dia 15 de julho de 2020, teve por principal objetivo desencorajar e evitar ilações dessa natureza. Reafirmo a minha sólida disposição em permanecer à frente da Secretaria de Governo da Presidência da República e lamento que tais notícias possam ter sido veiculadas.

O Exército Brasileiro, enquanto instituição de Estado, guardião das mais nobres tradições de nossa pátria, tão caro à minha pessoa e ao povo brasileiro, deve permanecer preservado desses tipos de divagações caluniosas.

Finalmente, reasseguro o meu orgulho e satisfação de integrar o time de Ministros do Governo Bolsonaro, constituído de membros íntegros e comprometidos com o Brasil, como permaneço convicto e certo do êxito na condução dos destinos do país por parte do Sr. Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro.

Luiz Eduardo Ramos
Ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República

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