Em jantar com senadores do PT, Lula parece aliviado com depoimento

Vera Rosa

15 Março 2017 | 17h09

Foto: Sergio de Castro/Estadão

Foto: Sergio de Castro/Estadão

Senadores do PT jantaram ontem com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na casa do paraense Paulo Rocha, e assistiram ali mesmo ao vídeo do depoimento de quase 50 minutos, na Justiça Federal, quando ele se defendeu da acusação de que tentou barrar a Lava Jato. Lula parecia aliviado.

“Nós todos achamos que ele se saiu muito bem”, disse a senadora Gleisi Hoffmann, líder da bancada do PT. “Foi uma comemoração.”

A lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, também entrou na conversa. Lula está entre os nomes de políticos que Janot encaminhou para o Supremo Tribunal Federal (STF), com pedido de investigação. A portas fechadas, o ex-presidente afirmou que a Lava Jato tentará “de todo jeito” condená-lo. Na sua avaliação, porém, a força-tarefa não conseguirá seu objetivo.

Pré-candidato do PT à Presidência, Lula bate na tecla de que enfrenta “perseguição política” e argumenta que querem tirá-lo do páreo de 2018. O discurso vai embalar suas andanças pelo País.

Uma comitiva de senadores do PT acompanhará o ex-presidente não apenas na visita ao Eixo Leste da transposição do Rio São Francisco, no próximo domingo, mas também em outras viagens para “inspecionar” obras.

Em época de lista, o PT vai produzir uma lista com roteiros para Lula percorrer. A ideia é que ele aproveite o palanque de oposição para “vistoriar” obras iniciadas em seu governo e, de quebra, atacar o presidente Michel Temer.

Na reunião de ontem, o senador Humberto Costa (PE) renovou o apelo para que Lula presida o PT a partir de junho, quando será realizado o 6.º Congresso do partido, em Brasília. Apesar de já ter aceito a tarefa, o ex-presidente às vezes parece não muito convicto da decisão. “Para unificar o PT, não temos dúvida de que ele vai aceitar”, comentou Costa.