Em jantar com deputados, Doria ganha tempo para mostrar se cresce nas pesquisas

Em jantar com deputados, Doria ganha tempo para mostrar se cresce nas pesquisas

Felipe Frazão

06 de maio de 2022 | 05h00

Na reunião do presidenciável tucano João Doria com a bancada do PSDB na Câmara, na noite da última quarta-feira, ele ganhou tempo. Diante do ceticismo de colegas com a candidatura dele, o deputado Carlos Sampaio (SP) sugeriu que fosse dado um prazo a Doria para ver o desempenho dele ao fim das inserções partidárias na TV. 

O ex-governador de São Paulo, João Doria (PSDB). Foto: Felipe Rau/Estadão.

Doria é a estrela da propaganda tucana, no ar até 10 de maio. Depois, querem colher o resultado nas primeiras rodadas de pesquisas, trabalhando ainda com o cenário de que a decisão saia em 18 de maio, o antigo dia D da terceira via. Até o fim do mês esperam saber se ele cresce nas pesquisas.

No jantar em Brasília, apenas um deputado falou explicitamente a favor de Doria, Nilson Pinto (PA). Eduardo Barbosa (MG) levantou objeções. Aécio Neves (MG), que é desafeto de Doria, não apareceu.

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Mas a maioria ficou em silêncio. Um dos motivos alegados por um dos presentes foi o temor de represálias. Viabilize-se ou não como candidato, Doria emplacou uma peça-chave na distribuição de recursos do fundo eleitoral, o tesoureiro César Gontijo, seu fiel aliado.

Horas antes de sentar à mesa com a bancada federal, Doria ouviu um duro diagnóstico sobre sua situação atual no PSDB. 

Ele se encontrou com Marcus Pestana, que coordenou as prévias tucanas, e ouviu dele que “ninguém no partido quer a sua candidatura”, segundo relatou um dos presentes.

Embora defenda a candidatura própria e tenha dito que apoiaria o ex-governador se ele se viabilizasse, Pestana acrescentou que a propaganda não foi calibrada para ajudar Doria a superar a rejeição e o sentimento de desconfiança captados em pesquisas qualitativas.

Pestana sugeriu que restarão duas alternativas: ou Doria sai à Montoro, referindo-se ao ex-governador paulista Franco Montoro que abriu mão da disputa para arbitrar a disputa entre Ulysses Guimarães e Tancredo Neves em 1985, ou será um camicase, com risco de quebrar o partido.

Surpreso, Doria respondeu que levaria em conta as observações do ex-deputado mineiro, mas disse que se sente desafiado na adversidade, um sinal de que insistirá na segunda opção.

Ilustração João Doria, por Kleber Sales

Ilustração Kleber Sales

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